Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 04/10/2019
A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro – assegura a todos os cidadãos o direito à igualdade. Entretanto, a efetivação desse direito na cultura nacional não se faz completamente presente. Diante dessa perspectiva, deve-se avaliar como a intolerância nas redes sociais e o sentimento de superioridade geram efeitos negativos à população.
Em primeiro plano, a ausência de tolerância na internet demonstra uma falta de punição a esses agressores. Nesse sentido, segundo o site O Globo ao analisar 542.781 postagens 77% foram consideradas negativas, as menções eram referentes aos homossexuais, deficientes, racismo e religiões. Com isso, a falta de meios que repreendam esses atos e o baixo número de denúncias permitem cultivar e disseminar a cultura do ódio, por consequência aumentando o número de casos de preconceito. Desse modo, não é razoável que a internet seja usada como mecanismo de opressão e segregação aos cidadãos.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a dificuldade de pensar e aceitar as diferenças tornando-as inferiores. Nesse viés, Pierre Bourdieu, sociólogo francês, defendia a violência simbólica como imposição dos dominantes de regras e crenças aos indivíduos, o que soam como conceitos naturais e comuns à sua existência, tornando imperceptível certas desigualdades. A esse respeito, a submissão e exclusão de mulheres, negros e índios, acabam sendo uma concessão inconsciente, pois as minorias não recebem um incentivo ou o conhecimento necessário para lutar por seus direitos. Todavia, enquanto o ciclo da desinformação prevalecer a discriminação será um obstáculo para a nação.
Torna-se evidente, portanto, que o direito à igualdade seja, de fato, assegurado na pratica, como prevê a Constituição Federal de 1988. Em razão disso, a Polícia Federal deve, com prioridade, denunciar os eventos de intolerância, por intermédio de investigações nos meios de comunicação, visando a desestimular futuras ocorrências de preconceito. É imprescindível, também, que o Ministério da Educação estimule o pensamento critico nas escolas, por meio de debate e palestras, incentivando o exercício correto de liberdade de expressão, a fim de erradicar a propagação de ódio contra as diversidades. Assim, o Brasil poderá se ver livre da violência simbólica pautada por Pierre Bourdieu.