Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 01/10/2019
Em 1500, com a descoberta do Brasil, os portugueses iniciaram seu processo tirânico de catequização indígena. Desde então, a segregação cultural entre os povos, principalmente relacionada a religião, cresce continuamente. Isso porque a imposição de uma determinada doutrina religiosa sobre um povo, com o tempo, omite sua carga cultural identitária. Tal fato também se relaciona, hoje, com manifestações políticas e econômicas dotadas de valores individuais, que prejudicam uma parcela minoritária da população, causando um contexto intolerante. Diante disso, nota-se a necessidade da atuação de instituições que defendam a liberdade cultural e a atenuação de políticas narcisistas.
Primeiramente, diante o atual cenário de intolerância, é importante ressaltar a permanência de grupos hegemônicos, como os cristãos, mesmo após a formulação da Carta Magna de 1890, pois eles justificam o porquê inúmeras brasileiros sofrem exclusão social. Isso se explica pela forma egoísta e preconceituosa com que, por exemplo, muitos adeptos cristãos praticam sua fé, rejeitando toda doutrina contrária a ela. Além disso, a permanência dessas atitudes tem gerado situações extremas em que a intolerância é praticada por meio de discursos de ódio, resultando em agressões físicas e verbais. Essas ações também refletem no baixo percentual de menos de 1% do total de brasileiros, segundo o censo do IBGE de 2010, das religiões de matriz africana, já que elas são as mais afetadas quando o assunto é intolerância religiosa. Sendo tais situações incompatíveis com as leis brasileiras, atitudes devem ser tomadas para impedir a investida dos intolerantes contra culturas alheias.
Ademais, segundo o atual cientista social paquistanês Toriq Ali, práticas intolerantes se relacionam, também, a fatores econômicos e políticos. A explicação para isso resulta no comportamento de investidores e parlamentares que, respectivamente, desenvolvem seus setores visando interesses pessoais, dificultando o convívio dos grupos minoritários, pois os excluem cada vez mais das relações sociais. Essa circunstância, influencia, muitas vezes, um ambiente caótico de conflitos que fomentam a intransigência ideológica, dificultando a promoção da paz. Outrossim, o ambiente construído em questão, prejudica a ordem e o desenvolvimento de um pais, pois não visa o conceito de “consciência coletiva” pregado por Émile Durkheim que, atualmente, é fundamental para manter a unidade nacional.
Diante o exposto, a fim de reduzir o hodierno quadro de intolerância contra as minorias no país, urge que o Governo, por possuir o controle de mídias de comunicação em massa, invista em propagandas emotivas que visem conscientizar toda a população acerca das consequências negativas que a prática intolerante causa. Feito isso, o problema abordado será mitigado e a sociedade brasileira estará continuamente mais próxima do conceito de coletividade proposto por Durkheim.