Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 03/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita,na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a intolerância e o discurso de ódio contra minorias apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência do poder público quanto do individualismo, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Advém ressaltar, a princípio, a ilegitimidade dos órgãos governamentais mediante a adoção de políticas de contenção da problemática. De acordo com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Todavia, isso não ocorre no brasil, haja visto que, embora esteja previsto na constituição o princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, muitos agressores, estimulados pelo sentimento de impunidade, se utilizam da intolerância para proferir discursos agressivos contra grupos minoritários, a fim de excluí-los socialmente. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, o exacerbado individualismo também é responsável pela intolerância associado ao discurso de ódio no brasil. Isso acontece porque, na pós-modernidade, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman na obra ‘‘Amor Líquido’’, as pessoas buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria das pessoas tendem a ser incapaz de tolerar diferenças, ainda que exista uma rica diversidade cultural no brasil.Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a liquidez das relações contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Em suma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Torna-se imperativo que o Poder Legislativo, por meio de debates entre congressistas e senadores a melhor maneira de garantir-se o bem estar democrático no país, discutindo modos de fiscalização e a ampliação de leis sobre a intolerância contra os grupos minoritários, para mitigar o preconceito atrelado ao discurso de ódio no brasil. Essa ação de dará por meio de penas mais dura aos agressores. Além disso, também é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de Ética e Cidadania no currículo dos ensinos infantil, fundamental e médio. Tal disciplina, com o intuito de desconstruir o individualismo, deverá disseminar o hábito da empatia. Desse modo, atenuar-se-á,em médio e longo prazo, o impacto nocivo da intolerância, e a coletividade alcançará a Utopia de More.