Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 25/10/2019
A terceira Revolução Industrial trouxe consigo a massificação do uso da internet como forma de interação social e, até mesmo, econômica. Esse veículo proporciona inúmeros benefícios, tais como o contato entre pessoas que estejam em países diferentes de forma prática e rápida. No entanto, essa ferramenta tem sido usada para espalhar discursos de ódio. Causas disso são o intenso individualismo vivido na atualidade e a falta de sensibilidade dos indivíduos diante dessas fatalidades. Uma intervenção é necessária para sanar essa problemática.
Em primeiro lugar, é indubtável a influência do egocentrismo para fomentar essas atitudes. Para os iluministas, a liberdade de um termina quando começa a do outro, o que reflete a ideia de bem comum e de respeito. Mas, de acordo com a teoria da modernidade líquida de Bauman, para a sociedade contemporânea (era capitalista), o mais importante é a vontade e o prazer individuais, o que muitas vezes permite ferir a liberdade do próximo. Nesta linha, observa-se inúmeros casos de comentários ofensivos e preconceituosos, em redes sociais como o Instagram, que criticam, dentre outras coisas, a forma como as pessoas se vestem ou o ganho de peso por celebridades, como aconteceu recentemente com a atriz Cléo Pires. Isso acaba por afetar emocionalmente as vítimas, o que faz com que elas diminuam seu rendimento no trabalho ou nos estudos e, em casos mais extremos, desenvolvam doenças mentais, como a depressão.
Além disso, destaca-se a indiferença gerada pela recorrência desses fatos como um gatilho. A socióloga Hannah Arendt, em seu conceito sobre a banalidade do mal, explica que quando uma atitude agressiva ocorre com frequência, as pessoas deixam de enxergá-la como errada. Nesse viés, percebe-se que, caso não haja uma interferência, seja para punir ou para conscientizar os usuários sobre o mau uso da rede, o número de casos desse tipo tende a aumentar cada vez mais, uma vez que haverá uma tendência a considerá-los como “normais”.
Portanto, são perceptíveis os prejuízos da propagação de comentários maldosos na internet. Cabe às escolas, em parceria com o Ministério da Educação, promoverem palestras e debates dentro do ambiente estudantil, de forma conjunta com os alunos e todo o corpo docente, que discutam sobre a repercussão desses discursos e a importância de se usar a rede com respeito às diversidades. Ademais, cabe ao Governo conscientizar a população nesse mesmo sentido, usando para isso os meios de comunicação e a distribuição de cartazes e panfletos educativos. Assim, contribui-se para a construção de uma sociedade que atue conforme defendiam os iluministas.