Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 29/10/2019
Na Idade Média, os tribunais do Santo Ofício da Igreja Católica, capturavam, julgavam e puniam aqueles que defendiam doutrinas ou práticas contrárias às da Igreja. Nos dias atuais, entretanto, observa-se, no Brasil, um crescimento exponencial da intolerância e discurso de ódio contra grupos minoritários na sociedade. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e a crise política no país influenciam na problemática em questão.
É primordial ressaltar que o individualismo no mundo atual tem acarretado na falta de afetividade entre os indivíduos na sociedade, gerando a cada dia que passa um sentimento de raiva e aversão ao próximo. Isso porque, na pós-modernidade, as pessoas, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman na obra “Amor Líquido”, buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem na vida. Em decorrência disso, a substituição da ideia de coletividade e de solidariedade pelo individualismo, em que falta a experiência do lugar comum e do convívio social, leva o indivíduo a não considerar mais o outro. Assim sendo, essas pessoas passam a pensar apenas na satisfação imediata de seus interesses pessoais favorecendo a proliferação de atos e comentários intolerantes.
Além disso, nota-se, ainda, que a crise política tem corroborado para a intensificação e propagação de discursos de ódio, bem como a discriminação entre grupos na sociedade. Isso porque, no processo de polarização política, o crescimento da extrema direita tende a levar ao crescimento da extrema esquerda - e vice-versa. Segundo o cientista político Jean-Pierre Faye, a distância entre a extrema esquerda e a extrema direita é menor do que entre elas e o centro do espectro político. Por exemplo, o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), expôs a forte polarização ideológica no país. De um lado os que viram o afastamento da mesma como um “golpe” e do outro lado os favoráveis a destituição da presidente. Por consequência, uma sucessão de ataques violentos e manifestações de ira - brigas entre familiares por divergência política e políticos vaiados em lugares públicos.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de resolver a problemática do individualismo e da crise política em questão. Em razão disso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas, com o intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o hábito da empatia. Ademais, o poder público, deve criar projetos sociais que possam assegurar a liberdade de expressão das pessoas na sociedade, com o propósito de acabar com esse embate de ideologias entre as elas. Poder-se-á, assim, possibilitar a convivência de ideias diferentes e a aceitação do outro, bem como evitar o retorno à barbárie.