Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 31/10/2019

Um tema que gera diversas discussões atualmente é a intolerância e o discurso de ódio contra grupos desfavorecidos socialmente. Certamente, essa problemática representa um grave retrocesso social, já que acarreta sérios problemas às suas vítimas e interfere negativamente na conduta de outras pessoas. Nesse viés, faz-se necessário discutir as causas históricas do problema e explicar suas origens psicológicas.

Em primeiro lugar, como diria Leandro Karnal, os preconceitos são construídos historicamente. Ou seja, o discurso de ódio contra minorias, decorrente da intolerância social, não é algo que surgiu atualmente. Desde a Idade Antiga, diversas mulheres, negros, pobres e outras pessoas vulneráveis socialmente, devido à falta de condições favoráveis de vida, são discriminados por indivíduos de posições privilegiadas na sociedade. No Egito Antigo, por exemplo, os servos e escravos eram submissos ao faraó e aos escribas, posto que estes os tratavam com notória intolerância e excessivo ódio. Na Grécia Antiga, os escravos de guerra eram tratados pelos guerreiros vitoriosos de forma análoga. Essa forma de tratamento se fortaleceu socialmente e, por isso, se reflete nos dias atuais, quando algumas pessoas se manifestam, em redes sociais ou em público, contra outras de condições socialmente inferiores.

Em segundo lugar, a intolerância também é construída mentalmente. Isso ocorre porque os processos cognitivos funcionam adequadamente de acordo com padrões mentais, já que essa forma de comportamento demanda menor gasto energético da mente. Logo, a indignação é uma tentativa de a mente promover a manutenção de padrões considerados aceitáveis para ela, como condutas, e orientações sexuais específicas, poder aquisitivo elevado, entre outros. O próprio Adriano Alves, pesquisador da psicanálise, afirma que o funcionamento psicanalítico humano tende a seguir padrões restritos de pensamentos e emoções, o que se reflete nos comportamentos das pessoas. Dessa forma, o ódio notado atualmente é consequência de uma estruturação mental fundamentada em padrões construídos psicanalítica e psicologicamente.

Portanto, as causas da intolerância e do discurso de ódio são históricas e psicológicas. Por isso, cabe a organizações privadas e públicas, como ministérios ligados à educação ou ONGs, o investimento em palestras ministradas em espaços públicos, em que historiadores e psicólogos apresentariam as origens do problema discutido. A exposição de exemplos históricos, explicações psicológicas e campanhas socioeducativas podem ser medidas adequadas a esses profissionais. Assim, a sociedade será mais respeitosa diante de diferenças interpessoais e menos intolerante.