Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 21/02/2020
Machismo. Racismo. Homofobia. Apesar da isonomia ser tão importante a ponto de ser um princípio democrático da Grécia Antiga e ainda se perpetuar em constituições atuais, essa igualdade perante a lei não é respeitada, pois a intolerância e o discurso de ódio são realidades no período hodierno. Nesse contexto, dois aspectos se destacam nessa situação: a contribuição da globalização para esses entraves e a impunidade em relação aos crimes de ódio. Enfim, medidas de combate a essas problemáticas são necessárias.
Diante desse cenário, cabe elucidar que a influência da mundialização agrava a conjuntura supracitada. Mormente, é preciso entender que esse fenômeno trouxe a homogeneização cultural, isto é, existe um padrão de costumes aceitos socialmente. Em meio a isso, a parcela da população que não conhece a importância da pluralidade tende ao estranhamento de culturas e sexualidades diferentes das suas o qual, por sua vez, se manifesta em forma de intolerância. Desse modo, haja vista a ideia de banalização do mal apresentada pela filósofa Hannah Arendt, a intolerância se tornou naturalizada na sociedade em virtude da abrangência global dos efeitos da integração dos países.
Em função disso, o discurso de ódio e a discriminação ganharam força, sobretudo nas redes sociais. Sob esse ângulo, o sentimento de impunidade faz com que os indivíduos preconceituosos acreditem estar livres de regras sociais quando estão na internet. Isso acontece não só porque, consoante Platão no “Mito do Anel de Giges”, o homem quando se sente poderoso - livre de leis, no caso em questão - tende a imoralidade, mas também porque muitas dessas ocorrências não são reconhecidas e denunciadas. Dessa forma, o ambiente virtual, palco de eventos discriminatórios, precisa de maior atenção estatal.
Portanto, observa-se que a intolerância e o discurso de ódio contra minorias são favorecidos por padrões sociais e lacunas punitivas. Por conseguinte, é imperioso que o governo, em parceria com a mídia, difunda o sistema de atendimento às vítimas, por meio da promoção de campanhas educativas que abordem os direitos das minorias e as formas de denúncia de delitos para com as mesmas, a fim de que a totalidade demográfica esteja ciente acerca da relevância da atenuação desse problema. Assim, o princípio da isonomia seria, de fato, colocado em prática na sociedade contemporânea.