Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 05/03/2020

No século XX, o Holocausto - liderado por Adolf Hitler durante o regime nazista na Alemanha - representou o genocídio de judeus, o qual foi pautado em uma mentalidade intolerante de superioridade alemã sobre as demais etnias. De maneira análoga, no século XXI, é fato que a intolerância e os discursos de ódio contra minorias se fazem presentes no Brasil, ora por desconhecimento sobre a importância desses grupos, ora por ignorância por parte da população. Dessa forma, cabe avaliar o papel da cultura no desenvolvimento da problemática, bem como a existência de uma ideologia opressora seguida pela massa.

É válido ressaltar, em primeiro lugar, que os hábitos presentes na esfera familiar constituem fatores intrínsecos à formação dos indivíduos, uma vez que essa instituição primária é responsável pela consolidação e pela exposição de valores. Tal fenômeno é ratificado à luz do historiador brasileiro Alfredo Bosi, que esclarece que a cultura é passada de geração a geração no âmbito familiar. Nessa perspectiva, percebe-se que os costumes relacionados à intolerância contra minorias podem ser facilmente passados aos jovens por parte de pais com mentalidade intolerante, propagando o desconhecimento acerca da pluralidade étnica, religiosa e política e, consequentemente, perpetuando os discursos de ódio.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o conceito de banalidade do mal, o qual foi proposto pela filósofa alemã Hannah Arendt e evidencia que, num determinado contexto, os indivíduos podem ser influenciados e condicionados às ações irracionais. Sob essa ótica, denota-se que a ideologia opressora existente tem papel fundamental no fomento ao preconceito, visto que essa massificação de pensamentos da sociedade pode fazer com que as pessoas ajam sem analisar as consequências de seus atos. Diante do supracitado, boa parte da sociedade é negligente quanto ao respeito às minorias e a mentalidade preconceituosa - simbolizada pelo Holocausto - é agravada no país.

Em suma, observa-se que os costumes passados de geração em geração e a existência de uma ideologia opressora constituem fatores que agravam a problemática. Portanto, com o intuito de ressignificar e de valorizar os diferentes grupos existentes na sociedade, urge que o Ministério da Educação (MEC), por meio de subsídios governamentais, crie campanhas de cunho educativo nas redes sociais e nas escolas que explicitem a importância do respeito às minorias, expondo informações relevantes sobre essa parcela da população e dando ênfase para a desconstrução da mentalidade intolerante. Somente assim, os discursos de ódio se tornarão menos comuns e a ideologia opressora será erradicada, acabando com a banalidade do mal proposta por Hannah Arendt.