Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 24/03/2020
Em 2019, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o prefeito do Estado, Marcelo Crivella, fez um mandato de prisão à uma revista em quadrinhos que continha um beijo homossexual na capa. Diante disso, pode-se observar que, desde de a Antiguidade, a intolerância é algo persistente na sociedade, na qual os povos bárbaros eram aqueles diferentes dos gregos, sendo excluídos por não falarem latim. Destarte, é fundamental que figuras de autoridade do país analisem as razões pelas quais o preconceito e a censura ainda são uma realidade no Brasil contemporâneo.
Em 1964, começa o período ditatorial brasileiro, o qual corrobora com a ascensão de pensamentos e ações fascistas no país. Assim, marcado pela desigualdade social, a privatização do ensino e a diferença gritante na qualidade de ensino privada e pública, governantes passam a ter o controle da população todo em suas mãos, lançando sobre a mesma medidas que tiravam-lhes sua liberdade de expressão e impunha uma realidade diferente: a censura. Para Freud, a censura era uma forma de monopolizar o povo, ou seja, torná-lo singular, tirando suas divergências, aquilo que difere- os.
Em segundo plano, vale salientar que traços moldados na época da Caça às Bruxas, na Idade Média, a qual perseguia as mulheres que fugiam dos padrões aplicados às mesmas na época e levavam-nas para a fogueira, são persistentes no modelo de sociedade contemporânea por meio da intolerância religiosa e da misoginia. Em sua célebre obra, Anne Frank relata em seu diário a vida como uma judia fugitiva dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, sendo um famoso exemplo de como o discurso de ódio pode tomar proporções globais, já que o nazismo foi responsável pela morte de 50 milhões de civis, segundo a BBC.
Em detrimento dos eventos históricos ocorridos no passado do país — como o período ditatorial — e a Segunda Guerra Mundial, que levou o mundo a vivenciar a intolerância e o discurso de ódio à níveis globais, cabe ao Governo Federal trabalhar em conjunto com o MEC em propostas educativas que estimulem o ensino dos episódios de censura vivenciados na história do país e do mundo e de suas consequências quando não tratadas com a seriedade necessária. Quiçá, é de extrema importância que a sociedade contribua com essa ajuda por meio da quebra d a cultura da intolerância e do preconceito instauradas no país desde o período colonial e que persiste em períodos atuais, evitando, assim, a monopolização do indivíduo e a perda da democracia, levando à ignorância e a intolerância, como citado por Freud.