Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 26/03/2020

O preconceito e a discriminação contra pessoas, ditas como minorias, não advém de um fenômeno recente. Assim, é notório que diferentes grupos sociais, ao longo da história, submeteram-se à dominação de grupos padronizados, fundamentada por uma teoria-discursiva vigente na época. Logo, no século XXI, a permanência da intolerância e do discurso de ódio contra minorias no Brasil, é consequência da herança histórica do país, além do descaso de autoridades governamentais à essa classe.

Em primeira análise, constata-se que sentimentos discriminatórios e de ódio contra minorias assemelham-se por se manifestarem contra estereótipos,e não com pessoas concretas. Paralelamente ao fato, no século XX, a sociedade brasileira passou por um processo de “higiene social”, baseado na teoria conhecida como “Eugenia’’. Como resultado, a expulsão de negros e imigrantes asiáticos para as periferias das cidades teve como pressuposto a classificação de pessoas como superiores ou inferiores biologicamente. Em consequência, tais conceitos, embora que rudimentares, ainda influenciam uma grande parcela da sociedade.

Em segundo plano, diante do pensamento antropológico de Darcy Ribeiro, as classes dominantes que regem o Brasil, são enfermos de desigualdade e descaso, em razão da perversidade intrínseca à herança do país. Em virtude disso, pessoas que se encontram em desvantagem social, seja pelo fator religioso, étnico-social, ou de gênero, estão diante de uma eminente vulnerabilidade, em que, como exemplo, os direitos sociais estão ausentes e a legislação não cumpre seu papel com eficácia. Com efeito, a exclusão desses grupos é massificada na sociedade e, por conseguinte, o preconceito juntamente com o desprezo lhes afetam.

Portanto, diante do preconceito enraizado na sociedade, é mister a participação dos diferentes segmentos sociais para a solução do impasse. Sendo assim, é fundamental que as instituições sejam elas escolares, religiosas, sociais ou governamentais, cooperem para a dissolução de estereótipos contra a minoria. Para isso, palestras, oficinas ou  encontros formativos realizadas por  representantes distintos, como índios, transgêneros e historiadores, devem ser promovidas como forma de oportunizar a inclusão. Além disso, um trabalho conjunto do órgão legislativo com o Conselho de Direitos Humanos(CNDH) na regulamentação das leis que protegem as vítimas de discriminação e violência, possibilitará o aperfeiçoamento dos mecanismos de defesa e proteção daqueles que não têm seus direitos respeitados na sociedade.