Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 07/04/2020
Cazuza, cantor e compositor brasileiro, dizia em sua célebre música “O Tempo Não Para” que o futuro estaria, quase sempre, repetindo o passado nos âmbitos sociais. Analogamente, no que tange ao fortalecimento da intolerância e do discurso de ódio em tempo hodiernos, observa-se que tal problemática é um impasse com raízes históricas, a julgar pelo episódio de formação do Brasil sob os conceitos eurocêntricos. Nesse ínterim, existem fatores que merecem destaque como fomentadores dos crescentes atos intolerantes no território brasileiro, tais quais: os lapsos educacionais e a omissão midiática em relação à abordagem do assunto.
É importante ressaltar , em primeiro lugar , há várias formas de se propagar ódio às pessoas que fazem parte de um grupo marginalizado. Muitas das vezes , se utiliza informações falsas para generalizar comportamentos de pessoas que pertencem a alguma minoria , como a comunidade afro ou LGBT. Isso ocorreu em 2014 , no litoral sul de SP , em que uma mulher foi linchada e morta , pois os agressores acreditavam que ela estava ligada a sequestros de crianças para rituais de magia negra , nesse contexto , o caso é extremo e envolve muito mais do que somente intolerância e fake news , já que muitas pessoas relacionam as religiões afro como sendo rituais de feitiçaria , e acabam por utilizar esse argumento para justificarem sua intolerância religiosa .
Ademais, com o advento dos meios de comunicação, um simples texto com pautas racistas, machistas ou homofóbicas, em questões de segundos, pode ter repercussão positiva de apoiadores de tais absurdos. A morte de Marielle Franco, ex vereadora, foi aplaudida por muitos na internet, apenas porque ela era mulher, negra, lésbica e combatia discursos nocivos, ou seja, minoria. Nesse sentido, é espantoso concluir que em uma sociedade democrática, o direito a personalidade, artigo 2 da constituição civil, não é respeitado.
Fica evidente, portanto que o privilégio e o ódio precisam ser combatidos. Nesse sentido, faz-se necessário que o Governo, por meio do congresso, barre e anule qualquer tipo de projeto de lei que tente desvirtuar o princípio legal de isonomia. Para que todos sejam tratados igualmente perante a lei e os privilégios sejam combatidos. Além disso, é preciso que a mídia averigue e denuncie qualquer tipo de intolerância seja qual for. Só assim, as regalias e a falta de complacência serão diminuídas no Brasil.