Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 25/08/2020
Discursos regados de ódio, indiferença e menosprezo direcionados a determinados grupos sociais, estão cada vez mais enraizados e comuns. No livro O Sol Ainda Brilha, o autor e protagonista Anthony Ray Hinton, narra sua tragetória de três décadas no corredor da morte no Alabama, Estados Unidos da América, sobrevivendo com a morte à portas de distância e sistema carcerário guiado pelo racismo.
Brasil é um país que nunca aboliu as práticas influenciadas pela escravidão, não totalmente e não por uma assinatura em 1888 — Lei Áurea. Com base escravagista, o país se constrói sob um passado sangrento e não muito distante, mantendo e normalizando costumes racistas. Cerca de 54% da população é negra (dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estátistica, IBGE) sendo ela a maioria nas cadeias, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
Em 2020, uma juíza no estado do Paraná, aumentou a pena de um réu negro, por razões de “seguramente integrante do grupo criminoso, em razão da sua raça, […] causavam o desassossego e a desesperança da população”. Esta justificativa racista demonstra a marginalização de negros, também presente no julgamento promovido pelo juiz Garrett e promotor McGregor contra a inocência de Hinton, no livro citado inicialmente.
Logo, para que a intolerância contra afrodescendentes, indígenas e judeus acabe, leis devem ser efetivamente aplicadas, não tendo a classe ou posição na sociedade como obstáculos, pois quando um exemplo com tamanho alcance populacional não tem suas atitudes preconceituosas punidas, abrem-se margens para movimentos que ferem a liberdade e a vida de outros. O estímulo por meio de iniciativas públicas financiadas pelo governo, deverão dar oportunidades para o ingresso em escolas, universidades e trabalhos mais bem qualificados que são predominantemente ocupados por brancos, visto que as costas muitas vezes são burladas e não usadas por aqueles que têm direito.