Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 11/05/2020

Diferente do que se pode esperar do termo “minoria”, ele não significa “o que está em menor quantidade”, mas sim um grupo de pessoas em desvantagem social, que fogem do padrão dos grupos dominantes na sociedade. Pessoas LGBTQIA+, mulheres, negros, gordos, fiéis de religiões não cristãs, indígenas, entre muitos outros, são o que chama-se de “minorias”. E o que todos eles têm em comum, no fim das contas? O estado de vulnerabilidade perante a sociedade, tal como a falta de representatividade que lhes caiba, além de, claro, a constante luta contra a intolerância provinda dos grupos dominantes.

De acordo com recente estudo do Atlas da Violência, 75,5% das vítimas de homicídio no país são negras. Já de acordo com ONG Transgender Europe (TGEu), o Brasil lidera o ranking mundial de homicídios de transgêneros. Além disso, O Globo aponta que denúncias de ataques a religiões de matriz africana subiram 47% no país em 2018. Todos esses dados ilustram a mesma coisa: o grande preconceito contra minorias no Brasil.

Ademais, na Constituição vigente há a seguinte lei: “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Era de se esperar que tal lei fosse levada a sério, entretanto, como os dados apontam, ela não é. O que não é uma grande surpresa, levando em conta que o próprio presidente do país tem discursos como “O filho começa a ficar meio gayzinho, leva um coro e ele muda o comportamento dele” e “Vamos fazer um Brasil para as maiorias. As minorias têm que se curvar às maiorias. As minorias se adequam ou simplesmente desapareçam.”

Em suma, fica claro como o Brasil continua sendo um lugar de grande hostilidade contra aqueles fora do padrão dos grupos dominantes. Logo, é preciso conscientizar a população sobre a importância do respeito a todas as pessoas. Programas de conscientização devem ser aplicados logo nos primeiros anos escolares, a fim de educar futuros cidadãos conscientes e tolerantes. Além disso, cabe ao governo tomar medidas mais rígidas com atos de discriminação, assim, em um futuro não tão distante, talvez as minorias possam sair de seu estado de vulnerabilidade social, tornando o Brasil um país mais justo.