Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 14/05/2020
Em dezembro de 2019, um grupo simpatizante da Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada em 1932 e inspirada no fascismo italiano, atacou a sede do canal Porta dos Fundos por conta de um especial de natal gravado pela produtora. Nesse episódio, Jesus, símbolo do cristianismo, era retratado como um homem gay, o que não agradou parte dos fiéis. Com o acontecimento, é nítido que o discurso de ódio contra as minorias é um dos maiores problemas enfrentados na sociedade contemporânea que, devido o aumento da intolerância de alguns grupos, tem gerado um agravamento de ataques homofóbicos e racistas no Brasil.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a comunidade LGBT sofre insultos constantes por pessoas conservadoras. Durante as eleições de 2018, um grupo de MC’s lançou o rap “Primavera fascista”, criticando diretamente os discursos de ódio do então candidato Jair Bolsonaro. Em um trecho da composição, os artistas citam falas homofóbicas ditas em entrevistas pelo atual presidente que, ao ser aplaudido por seus apoiadores, incentivou o ataque às minorias sociais. Com isso, fica claro que a maior parte da população brasileira simpatizou com a fala reacionária, mostrando a imensa intolerância ainda presente na sociedade.
Em segundo lugar, é válido lembrar que, desde a chegada dos povos africanos no país, existe um racismo estrutural que gera uma profunda discriminação étnica. A música “Cota não é esmola”, escrita por Bia Ferreira, descreve a vida de uma jovem negra da periferia. Além de criticar as desigualdades sociais, a letra relata as atitudes racistas enfrentadas pela garota que, desde muito pequena, recebe ataques em diversas esferas da vida. Logo, o preconceito racial passado por gerações ainda fere os direitos humanos e agrava a violência, gerando uma nação movida pelo ódio.
Portanto, é incontestável que medidas precisam ser tomadas para resolver a questão da intolerância e dos ataques de ódio. Para isso, é necessário que o Poder Judiciário fiscalize as leis já existentes, por meio de um portal de denúncias que deverá ser criado pelo Governo Federal, para que as vítimas que fazem parte das minorias sociais realizem boletins de ocorrências de uma maneira simplificada, fazendo com que, os acusados sejam penalizados o quanto antes pelas autoridades. Além disso, o Ministério da Educação também deve criar projetos na rede pública de ensino, contratando psicólogos e educadores para realizar palestras e campanhas contra qualquer tipo de intolerância dentro ou fora do ambiente escolar. Somente assim, o Brasil deixará de ter uma sociedade a favor dos discursos de ódio e da discriminação.