Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 24/06/2020

Na obra ‘‘Brasil: Uma Biografia’’, as historiadoras Lília Lilia Schwarcz e Heloísa Starling apontam ao leitor as peculiaridades da sociedade brasileira. Dentre delas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Com efeito, tal conjuntura é análoga ao hodierno cenário brasileiro, visto que, apesar da Constituição Federal garantir que todos são iguais perante a lei, grupos minoritários são constantemente segregados. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo moderno e a negligência das escolas colaboram a questão.

Em primeiro plano, o exacerbado individualismo é o principal responsável pelo aumento da intolerância no Brasil. Isso acontece porque, com o advento da globalização no país, o indivíduo tende a ingressar na estrutura social brasileira, potencializando o progresso social. No entanto, uma parcela da sociedade não desenvolve, de fato, suas relações interpessoais. Sob essa perspectiva, grupos vulneráveis são alvos de preconceitos e vistos erroneamente como incapazes. Isso é frequentemente manifestado na forma de ‘‘Violência Simbólica’’, termo do sociólogo Pierre Bourdieu, que exclui moralmente grupos minoritários como as mulheres e os negros, exemplificando a colocação desse grupo em postos de trabalho menos valorizado e menos renumerado. Por conseguinte, tal grupo não atinge a plena vivência da cidadania.

Outrossim, a negligência das escolas - no que diz respeito à pluralidade do povo brasileiro- influência na problemática. Isso porque, as instituições de ensino no Brasil apresentam somente conteúdos que posteriormente serão cobrados em prova. Sob tal ótica, conforme Hannah Arendt, em sua teoria do Espaço Público, as instituições públicas - inclusive escolas e faculdades- têm que ser completamente inclusiva a todos no aspecto social, apresentando, assim, noções de cidadania e senso crítico. Por decorrência dessa omissão, indivíduos crescem sem a educação adequada e, consequentemente,  torna-se mais vulneráveis a praticar atos discriminatórios.

Infere-se, portanto, a necessidade de criar medidas para a solidificação de um mundo melhor. Em razão disso, urge ao Ministério da Cidadania divulgar, por meio de canais de comunicações, campanhas que divulguem os direitos das minorias, com a finalidade de incentivar a diversidade brasileira. Ademais, com o intuído de combater a discriminação e esclarecer os limites da liberdade de expressão, o Ministério de Educação deve, por meio das disciplinas de História, Filosofia e Sociologia, debater temas de intolerância ética e social. Tal abordagem deverá ser feita de maneira lúdica e adaptada a faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores. Desse modo, o Brasil poderá garantir a concretude da isonomia a todos os cidadãos brasileiros.