Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 30/06/2020

O filósofo britânico Karl Popper defendeu a ideia de que uma sociedade formada por pessoas tolerantes não pode defender que discursos de ódio ao próximo sejam aceitos. Nesse sentido, nota-se que, no contexto contemporâneo brasileiro, enquanto há a ascensão de uma ala social radical que profere discursos de ódio contra minorias, indivíduos democráticos, muitas vezes, preferem ignorá-la. Assim, percebe-se que, conforme defendeu o pensador, fica evidente a necessidade do enfrentamento à intolerância. Dessa forma, a ausência de uma intervenção pública eficiente de combate a esse problema garante que políticas de marginalização contra minorias passem com maior facilidade.

Antes de tudo, é necessário mencionar a função educacional no que se refere ao combate ao discurso de ódio. A esse respeito, é válido destacar o pensamento de Paulo Freire sobre a questão. De acordo com o pedagogo, o ambiente escolar não deve ser limitado à aprendizagem mecânica, mas deve, também, tratar das questões sociais, a fim desenvolver indivíduos críticos e questionadores da realidade. Dessa maneira, há, por parte dos educadores, a tarefa de criar indivíduos que respeitem as minorias. Entretanto, ao analisar o quadro político nacional, observa-se que há um negligenciamento de algumas autoridades competentes no que tange ao ato de evitar a proliferação dessa mentalidade retrograda ao descartarem a carência do debate sobre esse tema nas salas de aula.

Por conseguinte, ações políticas de cunho ultraconservador tendem a ser mais aceitas por parcela da população. Acerca dessa premissa, é imperativo destacar o extremismo do governo Nazista contra as minorias durante o período do holocausto. Nesse âmbito, é importante salientar que, antes da prática de extermínio a esses grupos, houve uma normalização de um discurso segregacionista no debate público e que pregava a completa subserviência deles aos padrões políticos julgados como corretos pelo restante da sociedade. Portanto, percebe-se, lamentavelmente, que ações políticas de exclusão ou de extermínio de um povo sempre procedem da ascensão de discursos de ódio tolerados por parcelas significativas da sociedade

Em suma, torna-se evidente a urgência de uma intervenção estatal a fim de evitar a perpetuação da intolerância no país. Assim, cabe ao Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, incentivar as escolas da federação a ensinarem aos estudantes a necessidade do combate ao discurso de ódio contra as minorias. Tais aulas permanecerão na grade curricular da disciplina de sociologia e os docentes deverão aplicar o método de Freire no debate dessa temática. Com essa medida, espera-se formar uma sociedade de pessoas mais tolerantes e evitar o surgimento de políticas de exclusão às minorias, pois, como defendeu Popper, não se deve normalizar e aceitar o intolerante.