Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 04/07/2020
O romance “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, retrata a história de Macabéa, uma jovem nordestina que se muda para São Paulo, em busca de melhores condições de vida, sofrendo, entretanto, com a xenofobia. Embora seja uma obra fictícia, a intolerância e o discurso de ódio contra minorias são recorrentes na hodiernidade e, por isso, faz-se necessário debater as causas e consequências da questão, a fim de reduzir sua ocorrência na sociedade.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que contribuem para o aumento dos discursos de ódio, como as ideias equivocadas de meritocracia, por exemplo. Embora assegurada, pelo artigo 5° da Constituição Federal, a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, sem distinções de qualquer natureza, ainda é possível observar o preconceito sofrido pelo grupo, motivado por ideais de superioridade. Muitas vezes, as minorias são utilizadas no discurso de governantes como justificativas para problemas internos do país, tais como o baixo desempenho da economia, o que fomenta a aversão sofrida, agravando a problemática.
Por conseguinte, ainda convém lembrar as consequências do entrave, como a ocorrência de crimes contra tais grupos, ao passo que os episódios de agressão tornam-se cada vez mais frequentes, podendo inclusive levar as vítimas a óbito. O Atlas da Violência, divulgado em 2019, mostra um aumento no assassinato de negros, mulheres e homossexuais nos últimos anos, o que demonstra o tratamento diferenciado que as minorias recebem. Com a ausência de medidas visando mitigar a violência sofrida, cada vez mais o grupo sofre as complicações da discriminação, sendo julgados e agredidos apenas por sua cor de pele ou orientação sexual.
É perceptível, dessa forma, como a intolerância contra minorias é uma problemática na contemporaneidade, acentuada pelo preconceito. Assim, é imprescindível que as escolas auxiliem a reduzir a questão, por meio de aulas direcionadas, nas quais profissionais qualificados expliquem a importância da diversidade e auxiliem alunos que sofrem bullying, para que que menos pessoas precisem suportar o problema. Ademais, é necessário que a mídia aborde o tema em novelas e filmes, por meio da inclusão de enredos que expliquem os desafios sofridos pelo grupo, a fim de buscar diminuir o discurso de ódio tão presente na sociedade atual. Dessa maneira, será possível atenuar o entrave, assegurando para que os problemas retratados por Clarice Lispector possam permanecer apenas na ficção.