Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 16/07/2020
Em seu livro “Sobre educação e juventude”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman aborda o conceito de “mixofobia”. Tal conceito abrange o medo ou a aversão àquilo que é diferente ou desconhecido, o que, segundo a visão de Bauman, é altamente comum no mundo contemporâneo. A popularização do que o autor descreve como “mixofobia” culmina em uma das situações problemáticas mais graves no âmbito comunicativo hodierno: a propagação dos ideais de intolerância contra as minorias sociais.
Primeiramente, é válido pontuar a elevada abrangência dos meios de comunicação modernos como agravante do problema apresentado. Os avanços proporcionados pela Revolução Científica Informacional favoreceram o acesso à informação, possibilitando que um alto número de indivíduos adquira conhecimento sobre a diversidade cultural e étnica mundial. Entretanto, o mesmo progresso que ampliou a propagação de informações favoráveis à tolerância ampliou o alcance de discursos fundamentados na aversão às diferenças. Esse cenário paradoxal permite que a intolerância permaneça em circulação no mundo globalizado, o qual, em teoria, deveria promover a inclusão.
Nesse viés, é plausível afirmar que os discursos intolerantes destinam-se, majoritariamente, às minorias sociais, visto que estas, em comparação às maiorias, encontram-se em um estado de maior fragilidade. É o que ocorre, por exemplo, com os comportamentos xenofóbicos direcionados a imigrantes. A inferiorização de determinada cultura ou etnia limita a participação do grupo em questão no funcionamento social do país para o qual emigraram. Trata-se do que o autor Lévi-Strauss define como etnocentrismo: a visão de outro meio cultural a partir das características daquele ao qual se pertence, sem que haja relativização. Tal visão representa uma das ocorrências do fator abordado por Bauman, ou seja, a antipatia ao que constitui uma cultura, crença ou etnia diferente da própria.
Portanto, é urgente que, a fim de mitigar os impactos dos discursos de ódio e intolerância, haja mobilização dos órgãos públicos para o combate de tal problema. A realização de ações afirmativas que promovam a equidade social e o suporte moral e financeiro a Secretarias especiais e ONG’s relacionadas a esse tópico são atos indispensáveis para a redução dos efeitos da intolerância. É igualmente essencial a ação de fontes midiáticas de informação, que devem expor discussões e fatos fundamentados a respeito do valor da tolerância às minorias. Preferencialmente, isso deve ocorrer por intermédio dos meios de comunicação mais populares e abrangentes, tais como redes sociais, que, conforme supramencionado, podem ser utilizados para propagar os discursos ódio bem como para combatê-los. Com isso, haverá maior conscientização social e a “mixofobia”, a aversão ao diferente, poderá ser substituída pela aversão à intolerância.