Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 21/07/2020
“O homem é fruto de um processo histórico”. Com essa frase, o filósofo francês Foucault sintetiza a gênese maniqueísta da modernidade. Dessa forma, as alegorias inerentes à sociedade, historicamente, conduzem a uma condição de dualidade, como, por exemplo, o bem e o mal, o céu e o inferno, o preto e o branco. Analogamente, tem-se uma condição, na atual conjuntura social, de necessidade de pertencimento a determinada convicção, o que ocasiona um problema de intolerância em relação àqueles que não compactuam de tal ideologia. Nesse contexto, a questão do discurso de ódio no Brasil pode ser analisado pela perspectiva social e biológica.
Mormente, o legado elitista de uma sociedade patriarcal incita a indisposição dos grupos dominantes sobre os desfavorecidos socialmente. Sob essa ótica, o filósofo francês Foucault conceitualiza, em sua obra, “História da Loucura”, que indivíduos “normais” são aqueles que se encaixam aos padrões sociais vigentes. Adicionalmente, a falta de identidade individual contemporânea, ilustrada por Zygmunt Bauman, no seu texto “A Modernidade Líquida”, sincretiza a pressão interna para preencher os requisitos sociais hodiernos, de forma a não ser relegado a uma condição de “anormal”. Por conseguinte, incentiva-se a repulsão, de maneira peremptória, a tudo externo a “normalidade”.
Ademais, tem-se os fatores determinísticos como propulsores do discurso de ódio. Nessa conjuntura, a resposta endocrinológica à frustração de irrelevância social, por liberar um hormônio chamado de cortisol, influencia no comportamento coletivo, uma vez que causa sensações de incômodo e redução da auto estima. Outrossim, o efeito Duning-Kruger, o qual explica a pré-disposição de um indivíduo em reconhecer como válido aquilo que se encaixa nas suas convicções ideológicas, reforça o repúdio de um grupo sobre opiniões diversas. Destarte, cria-se um conceito de identidade coletiva guiada por intolerância, o que discorre na promoção dos discursos de ódio.
Portanto, medidas devem ser tomadas para refrear a propagação de discurso de ódio no Brasil. Logo, o Governo Federal, sob a figura da pasta da Educação, deve promover campanhas de valorização da igualdade, por meio de campanhas publicitárias em grandes veículos de comunicação, como por exemplo as emissoras de televisão, com o intuito de conscientizar a sociedade sobre a nocividade da discriminação advinda da intolerância. Dessa maneira, pode-se constituir uma população mais igualitária, sem a intolerância hodierna presente no país.