Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 22/07/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, os discursos de ódio contra grupos minoritários étnicos, sociais, nacionais e de gênero, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de diálogo, seja pela força em que as mídias sociais exercem nesse tipo de discurso, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A princípio, vale destacar que um dos principais males que alimenta essa intolerância é a falta de diálogo. Segundo a Ética da Discussão, fundamentada por Habermas, as pessoas estão mais preocupadas em vencer um debate, do que realmente ouvir e evoluir com ele. Dessa forma, ocorre uma ascendência do preconceito, visto que grande parte dos indivíduos não se interessam em crescer juntos, ter conhecimento sobre uma cultura ou história diferente, portanto criam esse pré-julgamento que desqualifica a existência do outro, propagam esses discursos de ódio e se justificam com a liberdade de expressão.
Paralelo a isso, vale também ressaltar que a internet fortalece esses tipos de discursos. Isso ocorre pois, nas redes sociais são alimentados debates anônimos e manifestações de idéias que não enxergam o respeito ao próximo, pessoas ignorantes, muitas vezes com perfis falsos, que não possuem empatia pelo outro e propagam falas preconceituosas. Esses discursos são extremamente perigosos, já que podem se materializar e gerar violência a essas minorias. Basicamente, o ódio ao outro é uma forma de se autoafirmar. Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Estado em parceria com a Mídia, por meio de novelas, programas, campanhas e debates que tenham o intuito de trabalhar essa temática e mostrar as consequências dessa intolerância em quem é atingido, afim de formar cidadãos empáticos e com pensamentos críticos, tornando o discurso de ódio cada vez mais inaceitável diante da sociedade. Como resultado, não haverá uma censura por parte do Estado, o que não afetará a liberdade de expressão dos indivíduos. Só assim, o país tornar-se-á mais plural e justo.