Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 24/07/2020
“Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social Eu não posso aparecer na foto do cartão postal Porque pro rico e pro turista eu sou poluição Sei que sou um brasileiro Mas eu não sou cidadão” - O resto do mundo, Gabriel O Pensador. No dia 23/07/2020 - ontem - uma travesti em situação de rua foi atacada por marginais e teve seus pertences queimados, o delito ocorreu em um bairro da grande Vitória, a situação nos faz refletir sobre o preconceito e intolerância contra moradores de rua no Brasil.
O trecho da música citada nos diz muito sobre como mendigos são vistos dentro da sociedade, já não é novidade que muitos ataques como o que a travesti sofreu ocorram constantemente, entretanto, alguns cidadãos preferem tratá-los como “invisíveis” negando a existência dessas pessoas e as deixando à merce do abandono social. Vemos o preconceito contra esses humanos de forma clara imposta socialmente; são vistos como perigosos quando na verdade utilizam desta “vantagem” como uma forma de intimidar e se proteger, aceitando o rótulo imposto sobre seus ombros.
São diversas as ideias errôneas creditadas aos moradores de rua, os esteriótipos pré determinados levam a exclusão social e ao ódio gratuito que recebem. As pessoas costumam associar o uso de drogas (problemático por parte dessa população) a violência, jogando pesos de situações que certamente eles não tem culpa (pelo menos não majoritariamente).
A questão é que as pessoas em situação de rua não podem ser ignoradas muito menos desrespeitadas como se estivessem nessa situação por vontade própria, tem toda uma estrutura familiar, econômica e social por trás disso. Uma moradia também não vai resolver todos os problemas, já que, moradores de rua são acima de tudo uma questão social. Sobre o ataque ocorrido ontem, a secretária municipal de Assistência Social se manifestou, dizendo que repudia qualquer ato de crueldade ou selvageria contra moradores de rua, mas apenas diferir não vai resolver. Leis que protejam a segurança dessas pessoas devem ser garantidas e a assistência para a reintegração social deve ser prestada.