Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 27/07/2020

“O Brasil não tem povo, tem público”, disse Lima Barreto, crítico arguto da nossa República. Sob esse mesmo viés pode-se afirmar que há muito alarde, mas pouco se faz para resolver questões urgentes  como é a intolerância e o discurso de ódio contra minorias. Nexte contexto, não há dúvida de que combater essa problemática é um desafio que se deve há negligência estatal e a desorientação social quanto ao respeito às diferenças.

De acordo com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equeilíbrio seja alcançado pela sociedade. Contudo, no Brasil, a brandalidade das leis responsáveis por punir os acusados pela disseminação do ódio contra as minorias afirma contra o equilíbrio Aristóteles. Dessa maneira, os discursos de ódio acabam sendo protegidos por uma justiça cuja punição não exerce medo sobre os cidadãos, o que favorece a marginalização dos grupos afetados.

É compreensível que a falta de abertura de diálogos sobre a tolerância com a diversidade social nas escolas brasileiras esteja entre as causas problemáticas. De acordo com Zygmunt Bauman, filósofo polonês, em sua obra “Modernidade Líquida”, a fugacidade das relações sociais no mundo moderno dilui o sentimento de semelhança entre os indivíduos, estimulando o individualismo. Seguindo essa linha de pensamento, as instituições de ensino, ao não abordarem com seus discentes a pluralidade da sociedade brasileira e dos grupos que a compõe, contribui para manutenção da intolerância e do ódio àqueles marginalizados, como os negros, os indígenas e os gays - não reconhecidos como semelhantes que merecem respeito social.

Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas que mitiguem a intolerância e as falas de ódio dentro e fora das redes sociais. Destarte, o Ministério da Educação, junto à ONGs, deve promover o debate sobre as diferenças dos segmentos sociais brasileiros nas escolas por meio de oficinas e rodas de conversas entre alunos, professores e representantes dos grupos das minorias, a fim de aproximá-los e solidificar o respeito às diferenças no país. Por fim, o Poder Legislativo brasileiro deve, mediante mobilização parlamentar, criar leis que garantam a punição dos autores da intolerância na redes sociais. Assim, poderar-se-á promover a tolerância às minorias no país.