Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 30/07/2020

De acordo com o filósofo chinês Confúcio: “Se queres prever o futuro, estuda o passado”. A partir de tal afirmação é possível fazer uma analogia entre os diversos acontecimentos históricos regidos pela intolerância, como as colonizações na América, e a situação incomplacente vivida na contemporaneidade. Logo, faz-se necessário uma análise das influências de difusões arcaicas de superioridade sobre minorias, que perpetuaram ao longo do tempo, além da displicência estatal que corrobora a condição de subcidadania de diversos indivíduos.

Em primeiro lugar, é de suma importância resgatar o histórico caótico de segregação social sofrida desde processos civilizatórios abusivos e desumanos. Como um caso particular e com grandes semelhanças aos demais, os portugueses no Brasil exploravam, desenfreadamente, a mão de obra indígena e escrava, numa perspectiva de cunho Eurocêntrico, em que valores e indivíduos não europeus eram inferiorizados, propiciando a existência de uma “supremacia” entre grupos, traduzida pela exclusão social dos mais vulneráveis, persistente mesmo após séculos, ainda que certos avanços na cidadania dessa parcela do corpo social tenham ocorrido.

Outrossim, a negligência governamental também agrega forte peso na manutenção desta problemática. As constituições dos países da modernidade ratificam a inviolabilidade do direito à igualdade entre os cidadãos perante a lei, no entanto, tal fato confronta-se com a intransigência de parte da sociedade que se vale da propagação de discursos de ódio, não velados, às minorias, proporcionado, em parte, pela ineficácia das punições legais e cabíveis contra os infratores da lei.

Diante do exposto, enxerga-se no passado histórico e na negligência estatal óbices à uma sociedade mais igualitária e justa. Portanto, urge que o setor do governo responsável pela fiscalização do cumprimento das leis ,em cada país, intensifique sua ação, impedindo que crimes de intolerância saiam impunes. Ademais, é mister que as escolas, como espaço privilegiado na formação de cidadãos, promovam palestras e debates com professores de história, em que através da interação com corpo discente esses profissionais possam conscientizá-lo sobre a importância de romper com os preceitos arcaicos e infundados de superioridade entre grupos, cumprindo, de forma fidedigna, a afirmação de Confúcio.