Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 06/11/2020
De acordo com uma pesquisa publicada no jornal “O globo”, cerca de 84% dos comentários feitos nas redes sociais sobre política, machismo, homofobia, racismo e religião possuem caráter ofensivo. Nesse contexto, esses dados preocupantes apenas revelam que os discursos de ódio e a intolerância estão cada vez mais enraizados e normalizados na sociedade. Assim, é necessário compreender tais atitudes e comentários maldosos tanto pela perspectiva do ódio como uma construção social, quanto pelo papel da tecnologia na disseminação de tais ofensas nas mídias sociais.
Em primeira análise, é relevante entender como as atitudes odiosas constituem um reflexo do que é ensinado ao indivíduo. Dessa maneira, percebe-se que o ato de odiar é uma consequência da naturali-zação dos comentários e das atitudes ofensivas, já que a malevolência e a repulsão pelo outro são en-sinadas por meio de falas racistas, xenofóbicas e preconceituosas, por exemplo. Por conseguinte, tem- -se o fortalecimento do conceito desenvolvido pelo filósofo Pierre Bourdieu denominado de Violência Simbólica. De acordo com o autor, tal conceito está diretamente relacionado à perpetuação da margi-nalização e da intolerância com os grupos sociais mais vulneráveis, o que corrobora com a exclusão social das minorias.
Outrossim, também é notável a importância de analisar o papel da tecnologia na propagação das expressões ofensivas e preconceituosas. Nessa perspectiva, é válido ressaltar a influência do anonima-to no processo de publicações insultuosas, uma vez que corrobora com a sensação de impunidade por parte do usuário. Em decorrência disso, nota-se um número significativo de casos relacionados às falas discriminatórias e ofensivas, que contradizem os direitos à dignidade e ao respeito previstos pela Cons-tituição de 1988. Para elucidar essa questão, pode-se citar os dados divulgados pela Sarfenet Brasil - programa que recebe denúncias de atividades cibernéticas que incitam o ódio -, que revela receber mais de dois milhões de denúncias, o que apenas afirma o papel da tecnologia na propagação do ódio.
Portanto, são perceptíveis o enraizamento e a naturalização dos discursos de ódio atualmente. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação, em conjunto com a família, auxiliem no combate da in-tolerância e da discriminação. Isso pode ser feito por meio de campanhas educacionais nas escolas brasileiras que ensinem sobre a importância do respeito e da empatia, a fim de conter a Violência Sim-bólica. Ademais, também é necessário que as Empresas de Comunicação combatam a impunidade existente nas redes sociais. Essa ação pode ser feita a partir da criação de algoritmos que deletem ins-tantaneamente as mensagens ofensivas, a fim de reduzir a intolerância e o ódio nas redes de comuni-cação, já que isso fere o princípio constitucional da dignidade humana.