Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 28/08/2020
A Constituição Federal de 1988 garante aos brasileiros a inviolabilidade dos direitos individuais. Todavia, na prática, é evidente a ausência desse princípio quando se observa a intolerância e o discurso de ódio contra as minorias no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas de que esse mal é um desafio social, o qual ocorre não só devido à falta de empatia, mas também de solidariedade.
Vale destacar, de início, que uma das principais motivações para a intolerância e propagação de ira é a falta de empatia. Isso porque, segundo Carl Rogers - psicólogo estadunidense - “Ter empatia significa ter sensibilidade para perceber o sentimento que uma pessoa esteja experimentando naquele momento”. Sob tal óptica, percebe-se que a sociedade não atua de forma empática, já que há desprezo entre os seus indivíduos. Basta analisar o caso da garota Kailane Santos, a qual foi apedrejada por evangélicos quando saia de um culto candomblecista, em 2015, no Rio de Janeiro – RJ; cenário parecido com o que ocorria durante os rituais da Santa Inquisição, no século XIII. Nesse âmbito, tais atos ferem os preceitos da dignidade humana, já que 70% dos que sofrem algum tipo de intolerância ficam depressivos e traumatizados, conforme site G1, em 2020.
Faz–se mister, ainda, salientar a carência de solidariedade como um problema de desunião social, visto que, de acordo com o Padre Antônio Vieira, em sua obra “Sertão do Santíssimo Sacramento”, “Toda a vida não é mais que uma união. Uma união de pedras é edifício, uma união de homens é exército. E sem essa união, tudo perde o nome. O edifício sem união é ruína. O homem sem união é cadáver”. Nesse viés, nota-se que nada sobrevive sem união, ou seja, para que ocorra harmonia social, é fundamental haver laços entre os cidadãos. Porém, hodiernamente, o Brasil vive em meio a um “Estado de Anomia”, por ação do ódio entre as pessoas, posto que, conforme dados da revista Veja, em 2020, somente 7% dos brasileiros praticam ações contra a xenofobia, o que comprova a escassez de solidariedade. Então, é crucial a mudança do cenário atual.
Portanto, com o intuito de mitigar a intolerância e o discurso de ódio contra as minorias, no Brasil, o Ministério da Educação, por meio das escolas, deve promover palestras de respeito entre as pessoas, em que os alunos terão instruções sobre como a empatia é fundamental para o exercício da cidadania. Por outro lado, o Ministério da Saúde, em parcerias com as redes de televisões, precisa realizar campanhas de amor ao próximo, principalmente para as camadas mais desfavorecidas, com o objetivo de despertar o interesse solidário entre os cidadãos, assim, proporcionará sumo bem-estar e dignidade da pessoa humana. Destarte, a sociedade desfrutará da igualdade de direitos garantidos conforme a Carta Magna.