Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 01/09/2020
No livro “Terra Estranha”, de 1962, o autor Jamas Baldwin narra a vida do protagonista Rufus, um afrodescendente que se envolve com uma mulher branca. O escritor aborda temas polêmicos como bissexualidade, racismo e homofobia. Fora da ficção, é fato o aumento dos discursos de ódio pregados às minorias, bem como foi visto na obra. Essa propagação ocorre principalmente devida a fixação do preconceito por determinados grupos e os recentes avanços das redes socias.
Primordialmente, é relevante ressaltar a existência de comunidades que se julgam superiores a outras, por feito de princípios como etnia, orientação sexual ou gênero. Pode-se citar, por exemplo, os neonazistas, ideologia inspirada nos nazistas da Segunda Guerra, que creem na supremacia da raça ariana. Nesse sentido, conforme Albert Einstein, físico alemão, é mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito. Por conseguinte, é indubitável que algumas crenças se preservam mesmo com o passar do tempo, infelizmente, visto que expõem discursos extremistas e de intolerância, que no passado já se demonstraram perigosos.
Além disso, a cultura do ódio também se beneficia com o uso intenso das redes e o anonimato proporcionado por elas. Por esse ângulo, Byung-Chul Han, professor de Filosofia da Universidade de Artes de Berlim, identificou que o fenômeno de antipatia no mundo virtual advém do parâmetro que respeito está vinculado à identificação, e com omissão disso os internautas se sentem mais poderosos para expressar seus pensamentos inescrupulosos. Assim, as degradantes mensagens discriminatórias acontecem em virtude da ponderação de que os responsáveis escaparão impunes.
Portanto, perpetuação da aversão a alguns nichos e a intensificação da utilização da internet se mostram determinantes ao falar-se dos empecilhos causados pela intolerância e o discurso de ódio contra minorias no Brasil. Sendo assim, cabe as delegacias municipais através de investigações desenvolver operações capazes de deter e punir associações extremistas na ativa, afim de garantir a liberdade individual da população brasileira. Além disso, é responsabilidade das mídias, principalmente a digital, realizar propagandas e campanhas que expunham a problemática acerca dos discursos preconceituosos, visando a diminuição desses na sociedade brasileira. Assim, os obstáculos enfrentados por Rufus não seriam mais tão recorrentes no atual cenário.