Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 09/09/2020
No filme “Distrito 9”, um grupo de alienígenas que acabaram de chegar à terra deparam-se com o poder segregador da espécie humana, sendo colocados isolados em uma área isenta de avanços urbanos, tais como tratamento de esgoto e de água. Paradoxalmente, a sociedade brasileira contemporânea, mesmo possuindo um documento que garante tratamento equânime entre a população, é composta de uma série de discursos de ódio e intolerância, seja por causa de diferenças raciais indo até mesmo a diferenças de gênero. Sendo que, tem-se como principais fatores responsáveis pela criação e perpetuação dessa problemática, respectivamente, o desconhecimento em relação à diversidade de grupos no Brasil e seus direitos, além da ineficácia governamental na resolução de casos individuais, o que configura um atraso à constituição.
Em primeiro lugar, a falta de informação acerca da diversidade brasileira quanto aos grupos sociais, o que acarreta, também, no desconhecimento dos direitos dessas pessoas, configura-se como uma das principais causas de discurso de ódio e intolerância contra minorias. De fato, a formação do pensamento do indivíduo é o fator mais preponderante no seu comportamento em sociedade - a conhecida socialização, tal como defendia o sociólogo francês Émile Durkheim. Assim, se a escola e a família - segundo o pensador, os agentes primários na formação de pensamento de uma pessoa - atuarem com ineficiência na desconstrução de esteriótipos advindos do meio externo e carregados com o indivíduo, ou até mesmo agir como quem impõe essas ideologias, a sociedade definhará em desigualdade.
Em segundo lugar, a ação governamental passiva frente os discursos de ódio e intolerância contra minorias, além da ineficiência das ações estatais com os desdobramentos dessa problemática, contribuem, em grande parte, para a perpetuação desse desrespeito à população. Consoante o pensador britânico T.H Marshall, a garantia dos direitos de modo pleno, ou seja, para toda a sociedade, é um avanço imprecíndel, e, assim, deve estar presente em todos os países. No entanto, o Estado brasileiro não garante o direito das minorias, retrocedendo na busca pela plenitude da democracia.
É imperativo, portanto, que o Estado brasileiro, por meio do Ministério da Educação em parceira com as escolas, invista na criação de centros educacionais voltados à desconstrução de esteriótipos e de ensino de direitos de minorias, por meio, por exemplo, da capacitação de profissionais das áreas das ciências humanas, para que eles possam ser mais eficazes no repasse de conhecimento e criticidade aos alunos. Tais atos voltar-se-ão à construção de uma sociedade mais igualitária e sem disciminação, e que, dessa forma, fazerá valer os ditos de T.H Marshall.