Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 16/09/2020
A teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do Nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo, com essa perspectiva, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No contexto do Brasil hodierno, essa noção eugênica de superioridade pode ser percebida na questão da intolerância e discurso de ódio contra minorias, pois muitos munidos por um sentimento de crueldade ataca grupos socialmente minoritários. Sendo assim, é crucial debater que o impasse tem como causa uma lenta mudança da mentalidade social, bem como a deturpação de direitos já garantidos.
Convém ressaltar, a princípio, que a permanência de pensamentos arcaicos corrobora com a problemática. Sob esse viés, é válido lembrar que o filósofo Durkheim afirmou que o fato social é uma maneira coercitiva de pensar. Assim, é possível perceber que os discursos de ódio contra as minorias é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, se os indivíduos crescem inseridos em um contexto social intolerante, a tendencia é adotar esse comportamento também. Logo, percebe-se a criação de um ciclo vicioso passado de geração em geração, que culmina em um fato social que corrobora para a manutenção do discurso de ódio.
Ademais, é necessário discutir que o problema esbarra em direitos já conquistados. Dessa maneira, é importante ressaltar que a elaboração do artigo quinto da Constituição Federal de 1988 foi baseada no sonho de garantir dignidade e bem-estar a todos os brasileiros. Entretanto, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor desse direito, visto que os discursos de ódio coloca em risco a integridade física e moral das minorias afetadas. Dessa forma, percebe-se não só um irrespeito colossal com os grupos minoritários socialmente, mas também a violação da Carta Magna do país.
Portanto, com o objetivo de fazer valer a Constituição e acabar com os pensamentos intolerantes, urge que o Ministério da Justiça, em parceria com as grandes mídias, faça campanhas informativas, por meio de canais de televisão e internet. Para isso, essas devem conter dados e participação de pessoas que já foram alvos de discursos de ódio, com a finalidade de gerar comoção e mostrar para a sociedade a importância de acabar com esse fato social cruel que se instalou no país. Ademais, os influenciadores deverão subir a hashtag #oodiomata para dar maior visibilidade a causa. Somente assim, o Brasil não terá uma visão eugênica no que tange a questão do discurso de ódio.