Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 19/09/2020

Consoante a filosófa Hipátia, é preciso compreender as circunstâncias que estão ao redor para entender melhor o que há mais além. Verifica-se, entretanto, que essa emblemática política não se enquadra quando se testemunha a intolerância e discurso de ódio contra minorias. Isso ocorre porque a subjetividade presente em muitos indivíduos ainda não está pronta para entender as diferenças coletivas, bem como não consegue transpor a individualidade, o que impede a prevalência da filosofia outrora enfatizada. Por isso, faz-se importante primeiro encontrar as causas, a fim de superá-las.

De acordo com Michel Foucault, filósofo francês, o homem é livre para romper ideologias antigas e criar novas concepções. Logo de primícia, é fato que tal preceito encontra-se deturpado na realidade: ao observar o modo cuja a preservação dominante de ideias arcaicas induz a mentalidade dos cidadãos à restrição de liberdade intelectual. Paralelamente, essa parcialidade pode trazer panoramas negativos à medida que esses pensamentos possam legitimar a intolerância e o ódio contra grupos, os quais não estarão inteiramente conforme a tais valores. Desse modo, ainda ocorre a corrupção de dois princípios que a Constituição Federal de 1988 preza: a integridade moral e física e a respeito à pluralidade social.

Cabe dizer, em segunda esfera, que a vulnerabilidade atribuída às minorias corrobora para o agrave da problemática. Em consonância a isso, pode-se pontuar o caso de menino Gabriel, uma criança de apenas 8 anos, a qual foi brutalmente espancada até a morte pelo próprio pai por ser afeminado e gostar de lavar louça no Rio de janeiro em 2014. Lamentavelmente, a falta de interesse político-social quase indistinto fomenta a predominância de covardias. Por conseguinte, a intolerância e o ódio passam a ser despercebidos e ignorados pelas maiorias, mas percebidos e sentidos pelas  minorias expostas ao desprezo e ao prejulgamento devido à condidão de serem o que realmente são.

É firme defender, portanto, que os impasses supracitados constituam desafios a vencer. Para tanto o Governo Federal, por intermédio das verbas públicas, deve construir delegacias especializadas em crimes de intolerância e ódio contra as minorias, com o intuito de atenuar essas práticas, além de aumentar a pena criminal para quem as praticar. Em conjunto, compete à escola, por meio do corpo docente, instruir os alunos a respeitarem e a tolerarem as diferenças entre as pessoas para que, dessa maneira, cresçam adultos mais compreensivos. Com essas medidas, os cidadãos, como Hipátia disse, compreenderão melhor o que há mais além das circunstâncias ao redor.