Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 23/09/2020

A Constituição federal de 1988 prevê, em seu quinto Artigo, que todos os cidadãos são iguais perante a lei. No entanto, na prática, essa garantia não é efetivada quando se trata de grupos minoritários, principalmente, em uma sociedade marcada pela intolerância e discurso de ódio. Dessa forma, faz-se necessário analisar tal quadro, associado não só à exclusão política e social dessas pessoas, mas também a uma polarização da comunidade.

A princípio, vale destacar que as consideradas minorias não são grupos menos populosos e sim socialmente excluídos. A participação feminina na política, por exemplo, evidencia bem essa exclusão. Segundo uma reportagem no site da ONG Politize, apenas cerca de 10% dos Deputados Federais são mulheres, em um país que, de acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 52% da população pertence ao sexo feminino. Evidencia-se, então, uma enorme sub-representatividade, o que contribui para desvantagens diante da coletividade tal como a negligência de seus direitos, incluindo o respeito, que muitas vezes são deixados de lado em  situações de intolerância e ódio.

Além disso, é importante pontuar que a polarização de ideias atual contribui para falta de aceitação do próximo e seus desdobramentos, conforme apresentado no documentário da plataforma Netflix, “O Dilema das Redes”. O filme defende que as redes sociais, cada vez mais presentes na vida dos indivíduos, estão promovendo uma sociedade menos tolerante e mais polarizada. Isso ocorre a partir da estratégia dessas ferramentas de reter o máximo possível a atenção do usuário, visto que por meio de um conteúdo personalizado aliena-se o indivíduo e, assim, ele não tem contato com ideologias  e princípios diferentes dos seus. Verifica-se, portanto, o papel da tecnologia na permanência da intolerância no corpo social, situação que não pode ser ignorada.

Com base nessas ideias, deve-se tentar solucionar essa problemática. Segundo a escritora Hellen Keller, o resultado mais sublime da educação é a tolerância. Sendo assim, o Ministério da Educação deve investir profundamente na formação de brasileiros mais tolerantes e menos polarizados. À vista disso, é necessário capacitar os professores de matérias voltadas para o estudo do ser e da sociedade, como  Filosofia e Sociologia, em convenções on-line devido à pandemia, a fim deles promoverem debates e trabalhos sobre o tema em todo país. Ademais, é preciso também que esses professores se dediquem a instruir as futuras eleitoras sobre a importância de ser representada no Congresso Nacional, a fim de garantir que o Artigo Quinto seja efetivado e que todos tenham seus direitos asseverados.