Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 04/10/2020

Segundo o filósofo Edmund Burke: “Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la”. Com essa linha de pensamento, percebe-se que a falta de conhecimento ou de recordação de eventos históricos como a perseguição de mulheres na Idade Média ou a escravidão no período colonial, contribuem demasiadamente para que ações violentas como a intolerância e os discursos de ódio contra as minorias ainda sejam práticas comuns no cenário atual. Desse modo, combater essas ações envolve o auxílio da educação na prática das relações sociais.

Primeiramente, já dizia a frase de Sartre, “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Nesse sentido, os vestígios da falta de direitos enfrentada pelas mulheres no século XIX, assim como os maus-tratos sofridos pelos negros durante o período colonial brasileiro, retornam à atualidade por meio de manifestações públicas ou na internet, que envolvem textos e comentários de cunho altamente preconceituoso. Relativo a isso, o emocionante caso da brasileira Rafaela Silva, que durante as olimpíadas de Londres, em 2012, foi alvo de críticas e xingamentos por parte do público presente, simplesmente por ser negra, mostra que grande parcela da população ainda precisa rever suas ações e desconstruir os seus preconceitos e falsos julgamentos para que seja possível alcançar um determinado bem.

Outrossim, segundo a escritora Helen Keller: “O resultado mais sublime da educação é a tolerância”. Nesse viés, é notável que, apesar dos avançados de direitos e respeito conquistados por algumas minorias, como os movimentos feminista e dos negros, outros grupos que se consolidaram mais recentemente, caso do LGBT, ainda sofrem constantemente com a discriminação e os discursos de ódio. Por isso, é fundamental a conscientização da população, principalmente dos mais jovens, seja por meio de campanhas sociais, dentro das salas de aula, por meio de discussões, pois, se essas más práticas são aprendidas com a vivência dos indivíduos, é necessário que eles também aprendam a abdicar delas, e isso pode ser feito por intermédio da educação.

Portanto, medidas são necessárias para controlar a situação. Para tanto, é imprescindível que os professores fomentem o desenvolvimento e amadurecimento crítico dos seus alunos, por meio da criação de aulas interdisciplinares, que relacionem os fatos históricos mundiais com o assunto em análise e possibilitem aos docentes e discentes debaterem sobre essa pauta ao longo do ano, com o fito de permitir que os estudantes tenham conhecimento do passado e não perpetuem os mesmos erros dos indivíduos daqueles períodos. Assim, será possível reverter, ainda que gradativamente, esse imbróglio da sociedade.