Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 19/11/2020

O Odio Invicto

O filme “Invictus” relata a história da seleção Sul-Africana de rugby, em que apenas um jogador é negro, e a população do país, em sua maioria negra, torce contra os próprios jogadores, uma vez que, o esporte é submisso aos brancos. Nesse viés, fora da ficção, a soberania do ódio na sociedade hodierna é vista não somente no esporte como em toda a esfera social, cuja causa relaciona-se com a impunidade absoluta sobre esses crimes e a educação corrompida.

Primeiramente, é válido pontuar que a impunidade acentua os discursos de ódio e crimes de origem preconceituosa. Em virtude disso, a impenitência gerada, colabora diretamente como um dos maiores fatores de incentivo para a descriminação. Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha, 30% das vítimas foram marginalizadas devido a sua classe social, e outros 25% devido a raça. Por conseguinte, com números cada vez maiores devido a impunidade, o Brasil é assolado pela segregação e não é capaz de garantir os direitos do artigo três da Constituição Federal de 1988, que prevê bem-estar a todos, independentemente de sua cor, sexo, ou condição social.

Da mesma forma, se faz imprescindível destacar que educação nacional é refém de discursos de ódio, pois, o cotidiano de muitas crianças é assombrado por ações inadequadas de preconceito, ou em outros casos, as próprias crianças praticam tais atos, uma vez que, são ensinadas a desprezar outros indivíduos. Parafraseando o educador brasileiro Paulo Freire, “ Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. ” Assim, é indubitável que medidas efetivas precisam ser fomentadas para alterar a realidade da educação e da forma que se educa as futuras gerações.

Portanto, buscando reverter o panorama de ódio e as formas de incentivo a tais discursos, é de grande importância que condutas sejam exercidas. Cabe ao Poder Legislativo, criar leis efetivas que punam atitudes hostis, com multas que sejam destinadas a pagar ajuda psicológica para a vítima. Outrossim, o poder Judiciário deve criar delegacias especializadas em crimes de origem discriminatória a exemplo da delegacia da mulher. Ademais, o Ministério da Cultura e Educação, precisa incentivar a criação de gincanas mensais em escolas e universidades, que promovam a interação de crianças e jovens, independentemente de sua condição social, classe ou cor. Dessa maneira, todo o país poderá torcer por uma só seleção.