Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 26/10/2020

O filósofo alemão Jurgen Habermas defende que em um sociedade madura, os indivíduos discutem para conseguirem evoluir juntos, de acordo com sua teoria da Ética da Discussão. No entanto, na internet, muitas vezes, a liberdade incita nas pessoas discursos de ódio, indivíduos esses que estão muito mais preocupados em vencer a discussão a evoluir com ela. Nesse contexto, emerge um problema delicado, em virtude da falta de empatia, alimentada pela impunidade.

Em primeiro lugar, percebe-se o individualismo como causa da problemática. Nesse viés, Zygmunt Bauman-sociólogo polonês-defende que a Modernidade Líquida é fortemente pautada pelo egoísmo. Assim, ao interagirem com perfis nas redes sociais, muitas pessoas julgam e condenam outros indivíduos, sem uma análise racional e movidas pelo sentimento de ódio, agredindo-os e incentivando outros a replicarem tal violência.

Destarte, a impunidade perpetua o problema, aumentando os casos de agressão nas redes. Para Aristóteles, a base da sociedade é a justiça. Entretanto, essa isonomia, na internet, pode ser intencionada fora dos órgãos legítimos, já que a prática de denúncia ainda não é exercida plenamente pelos brasileiros e os ofensores utilizam, muitas vezes, perfis falsos para disseminação dos atos agressivos.

Dessa maneira, ações de combate à ausência de punições, nesses casos, são dificultadas. Portanto, é mister que medidas sejam tomadas. O Ministério da Justiça deve criar e divulgar campanhas nas redes sociais de maior alcance-como o Instagram, Twitter e Facebook- por meio do relato anônimo de vítimas do discurso de ódio virtual, a fim de estimular a empatia e comunicar a criminalização dessas práticas. Assim, possivelmente, a percepção de Habermas será verificada na realidade brasileira do século XXI.