Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 08/05/2021

Paralelo das alegorias de Rousseau, filósofo suíço, “o homem é produto do meio que está inserido”. Com embasamento nisso, ao relacionar o indivíduo com a contemporaneidade, fica evidente que percurso histórico e as simbologias culturais ironizam ciclos de supressão das minorias e episódios antidemocráticos, bem como anunciam estigmatização do ser. Nesse contexto, enquanto instrumentos de poder, faz-se mister analisar tais fatores, os quais corroboram ativamente para a intolerância e o discurso de ódio contra minorias: em seus aspectos mais subjetivos.

Mormente, convém ressaltar que o problema advém, em muito, do passado. Nesse sentido, o advento desse fato decorre dos endêmicos princípios herdados do período colonial, no qual práticas abusivas com grupos considerados inferiores –gays, deficientes, pretos, entre outros— eram frequentes, visto que esses eram enxergados mais como “anomalias” que como outros seres humanos. Como fruto desse cenário classista, sórdido e repressor, conservado pela consciência coletiva, tal banalização desprestigia essas parcelas sociais e lhes importuna. Dessa forma, é possível depreender que, ao preservar o panorama outrora construído, tem-se a aculturação da maioria em subjugar, em ferir e em constranger a minoria, que é imoral, opressor e preconceituoso, o que, infelizmente, perdura.

Ademais, a sociedade é  pautada em símbolos. Em consonância a isso, o sociólogo Pierre Bourdieu, em “O Poder Simbólico”, elucida que dogmas integram um dos pilares da violência —mesmo que não seja física—, uma vez que as pessoas e seus estigmas desconfiguram outras realidade e desmoralizam outrem. Nessa perspectiva, detendora, então, das simbologias com sua elevada numerosidade, como um artifício para perpetuar-se no prestígio social, a maioria constrói uma narrativa hierarquizada com as minorias, a partir da qual elas são submetidas à escassez, à degradação e à ridicularização. Desse modo, relações de poder prosperam o discurso de ódio e a intolerância tal qual no Brasil Colônia.

Infere-se, portanto, que o contexto supracitado presente na subjetividade de cada cidadão constitui desafios a superar. Para tanto, o Estado, por intermédio da verba pública, há de construir delegacias especializadas em crimes contra minorias, a fim de atenuar a prática do preconceito na coletividade, além de aumentar a pena para quem o praticar. Outrossim, cabe à escola criar palestras sobre as  minorias e suas histórias, visando a informar crianças e jovens sobre as diferenças existentes no país, diminuindo, assim, a intolerância e o discurso de ódio. Paralelamente, a sociedade deve  assumir parte ativa nas redes sociais, com o intuito de conscientizar a população sobre os males dessas práticas errôneas e opressoras. Feito isso, é no monólogo de Rousseau, o homem tornará-se produto do meio que está inserido.