Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 22/12/2020

A Segunda Guerra Mundial é marcada pelo intenso ódio as minorias, em que pessoas consideradas inadequadas ao sistema vigente eram encaminhadas a campos de concentração e, por conseguinte, eram mortas. Na contemporaneidade, não existem mais esses campos, entretanto a intolerância e o discurso de ódio a grupos minoritários são explícitos e causam danos severos a democracia e aos direitos humanos. Esse cenário tem como principais causas a insegurança populacional e a ausência do diálogo entre os diversos grupos sociais e, somente por meio de medidas socioeducativas, será possível minimizar esse mal.

Em primeiro momento é de suma importância ressaltar como a insegurança populacional aumenta os casos de falta de tolerância e, como consequência, da expressão de ódio contra minorias. Segundo a socióloga Hannah Arendt, uma sociedade em crise e insegura tende a aderir extremismos, esse panorama é benéfico ao crescimento de discursos que preguem que a causa de todos os problemas decorrem devido à existência de determinado grupo social. Como exemplo disso, tem-se a política de embraquecimento populacional ocorrida na República Oligárquica, em que negros e pardos eram considerados o motivo pelo qual o país não crescia de forma desejada. Esse pensamento, apesar de completamente preconceituoso e errado, ainda permanece na sociedade em forma de racismo institucional e afeta a vida de grande parte da nação brasileira.

Além da insegurança populacional, a ausência de diálogo é um fator que torna a conjuntura ainda mais caótica. Nesse sentido, uma sociedade que está em crise e que não dialoga entre si torna-se propensa a não compreender o lado alheio, assim como, as suas dificuldades e a sua história e, dessa forma, um circulo social cria uma visão errônea sobre o outro e desenvolve um sentimento profundo de intolerância e raiva. Esse comportamento é contrário ao conceito de ação comunicativa de Habermas, que prega que a base de uma sociedade é a troca de informações e a capacidade de entender o outro e, sem isso, toda democracia estaria em risco.

Nota-se, portanto, que medidas são necessárias. A priori, o Ministério da Educação pode promover palestras nas escolas sobre os danos do discurso de ódio e do poder da comunicação, por meio de palestras semanais com sociólogos e psicólogos, com o propósito de que os estudantes não se tornem adultos extremistas e sim racionais e conciliatórios. A posteriori, a mídia pode promover propagandas que mostrem a realidade de diversos grupos, por meio de parceria com ONGs, com o intuito de desmistificar pensamentos errôneos e propor uma ação comunicativa efetiva. Somente por meio dessas ações será possível garantir a insegurança não se torne ódio e que o diálogo supere a intolerância.