Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 24/11/2020

Machismo. Homofobia. Intolerância religiosa. Racismo. Esses são alguns exemplos de violência que os grupos em situação de vulnerabilidade social sofrem diariamente no Brasil. Observa-se um forte preconceito contra grupos minoritários no país. Nesse contexto, é de grande importância discutir as raízes sociais e políticas dessa intolerância no contexto nacional.

Primeiramente, cabe destacar que as redes sociais deram voz a muitos grupos que antes não a tinham, esse novo protagonismo, no entanto, abriu espaço para o revanchismo e o discurso de ódio. Esse fenômeno é explicado por meio da sociologia, que diz que o preconceito surge, quando um grupo em situação de privilégio sente que seu estilo de vida, tido como o certo, está sendo ameaçado. Analogamente, isso esclarece a ascensão do conservadorismo no país e a revolta de parcela da população moralista, quando um beijo gay é mostrado em uma novela, por exemplo. Essa reação é ruim, pois se reflete em atos violentos, tal como o caso do casal gay agredido com uma lâmpada, em plena Avenida Paulista.

Outro fator que contribui para a perpetuação desse cenário é a falta de representatividade política. Para efeito de comparação, 51,8 % da população brasileira é composta por mulheres, no entanto o Congresso Nacional possui apenas 14% de parlamentares femininas. A situação também é alarmante quando se trata de representantes negros, apenas 17% compõem o corpo de deputados, segundo dados do próprio Governo Federal. Porém, esse cenário não deveria existir, pois como democracia, sistema o qual se baseia na representatividade do povo, o Brasil deveria garantir que as reivindicações de todas as parcelas da população fossem ouvidas, o que todavia se torna muito menos provável com essa configuração na Câmara dos Deputados Federais. Dessa forma, não há uma luta expressiva para que a violência e a intolerância sejam erradicadas, pois não é algo que seja do interesse da maioria dos que formam a política no país.

Portanto, para acabar com o preconceito e com os discursos de ódio contra as minorias no Brasil é necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos entre em ação por meio de políticas afirmativas. Isso pode ser feito através da implementação de cotas, um projeto no qual fosse estabelecido que pelo menos 50% das vagas nas câmaras e no Senado Federal fossem destinadas à pessoas pertencentes a grupos em situação de vulnerabilidade social, ou seja, minorias. O efeito será de que com mais representatividade, esses grupos terão mais pessoas legislando em seu favor e dessa forma  garantindo os direitos e nivelando as disparidades, consequentemente tornando o Brasil mais humano, igualitário e democrático.