Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 25/11/2020
Pontes Newtonianas “Construímos muitos muros e poucas pontes.” Essa afirmação do teólogo e cientista Isaac Newton pode ser facilmente aplicada à intolerância e discurso de ódio contra minorias, já que essa problemática é marcada na sociedade por concentrar a construção de barreiras sociais e a escassez de medidas para sua erradicação. Assim, torna-se claro que esse panorama tem origem no comodismo da população, o que emerge problemas complexos que precisam ser revertidos. Desse modo, agrava o quadro central não só um individualismo, como também, uma carência reflexiva. Em primeiro plano, é preciso atentar para o individualismo presente na questão. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange as minorias. Essa liquidez que influi sobre a questão, funciona como um forte empecilho para sua resolução. Pois contribui com a individualidade presente na sociedade, que corrobora para a ascensão de uma elite social egocêntrica, precarizando assim as classes minoritárias e contribuindo com o aumento de discursos de ódio. Além disso, outra dificuldade enfrentada é sobre uma carência reflexiva. Dados da Pesquisa Nacional de Domicílio (PNAD), mostram que 98,414 milhões dos cidadãos são homens (48,4% do total) e 102,6 milhões mulheres (51,6%). Desse total, 53,6% se autodeclaram negras ou pardas. Apesar de serem a grande maioria populacional no país, mulheres e negros- além de indígenas, deficientes, homossexuais, entre outros- são considerados minorias na sociedade. Pela interpretação dos índices, percebe-se, que a população gerou um comodismo social em torno do problema, uma vez que, apesar de os dados alarmantes, os cidadãos não tenho tentado reverter e refletir sobre essa problemática, o que contribui, para o aumento de vítimas do problema e para a desigualdade de direitos sociais. Portanto, uma intervenção faz se necessária. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia Brasil, desenvolvam “Workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais, o que proporciona, uma reflexão social que leve ao equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas, a fim de tratar o assunto de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações de intolerância. Dessa forma, mais “pontes newtonianas” vão ser construídas, e muros, derrubados.