Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 08/01/2021
Negros, gays, mulheres, favelados. Esses são algumas das possibilidades das diversas nomeações de pessoas que estão presentes na categoria denominada minoria, isto é, com alguma desvantagem social. Nesse sentido, torna-se imperioso refletir sobre os motivos da intensificação da intolerância e o discurso de ódio que permeiam as sociedades atuais. Para tanto, cabe destacar a origem de alguns indivíduos em aceitar a diferença e a falta de esforço do Poder Público em sustentar o discurso da diversidade.
A priori, é importante ressaltar que a intolerância e o discurso de ódio derivam da dificuldade do sujeito em reconhecer as diversas manifestações de expressão da vida, do desejo e dos diferentes modos de ser. Tal dificuldade é intensificada com a formação conservadora, em que se sustenta apenas um modelo de vida, orientada por uma verdade absoluta em que todos devem ser guiados. Desse modo, abre-se as portas do discurso de ódio, com o intuito de aniquilar o que foge do padrão. Como exemplo disso, o jornal Veja de São Paulo noticiou, em janeiro de 2021, a morte de uma menina transexual de 13 anos espancada a chutas e pauladas em função do ódio e da transfobia.
Outra questão a ser destacada é a falta de vontade do Poder Público em sustentar e promover o discurso da diferença. Com isso, vê-se que nas escolas, por exemplo, não há uma formação que abarque o reconhecimento de afirmação das diferentes identidades. Nesse sentido, apesar da tentativa de implementar nas escolas, durante o governo de Dilma Rousseff, uma discussão sobre a diversidade sexual, o projeto não foi levado adiante em decorrência do discurso conservador velado pelo preconceito, com a justificativa ilógica de que tratava-se de um kit gay para incentivar jovens a serem homossexuais.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma educação que reconheça os diversos modos de se estar no mundo. Para tanto, é imperioso que o Ministério da Saúde, com parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, possa criar projetos nas escolas que abarque a discussão das diversas identidades, por meio de debates em sala de aula e discussões a partir de filmes e documentários que trata sobre o tema da diferença, com a finalidade de promover a tolerância e o respeito para com as ditas minorias. Tais projetos podem ser confeccionados com a ajuda de cientistas e pensadores que refletem sobre o tema. Portanto, esses diálogos nas escolas poderão ser perpetuados na vida em sociedade, o que certamente minimizará a aniquilação das vidas consideradas diferentes por meio de seu reconhecimento.