Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 25/01/2021
Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, sempre que há uma crise, surgem os discursos autoritários com a criação de um inimigo em comum. Nesse sentido, é marcante a relação entre a crise econômica e moral no Brasil com o aumento da intolerância e discursos de ódio contra minorias, em especial na última década. Dessa forma, faz-se imprescindível um debate crítico sobre a causas históricas dessa discriminação, bem como sobre seus efeitos psicológicos nas minorias.
Inicialmente, necessita-se pontuar as origens dos preconceitos contra as minorias no Brasil. Nessa perspectiva, cita-se a herança ibérica escravista — o Brasil foi o último país a abolir a escravidão no Ocidente — e a manutenção da estrutura patriarcal de discriminação contra mulheres e gays como fontes do ódio que permanece presente país. Diante desse contexto, cita-se o estudo “Medo da Violência e Autoritarismo no Brasil”, o qual conclui que, em uma escala de zero a dez, os brasileiros atingem o índice de 8,1 na propensão a endossar soluções autoritárias e pouco afeitas ao diálogo e a diversidade. Portanto, percebe-se a importância de uma mudança drástica nos valores coletivos nacionais como forma de romper com o passado de intolerância que ainda lança efeitos atualmente.
Adicionalmente, cabe ressaltar que os discursos de ódio têm efeito deletério nas minorias, que muitas vezes acabam internalizando esses ataques e sofrendo com baixa-estima e depressão. Nesse sentido, menciona-se que, de acordo com a revista científica Pediatrics, um jovem não heterossexual tem cinco vezes mais propensão a suicidar-se. Dessa maneira, é imperativo um esforço para incluir efetivamente todos os grupos sociais, integrando-os na comunidade, tendo como base o respeito, o diálogo e a tolerância.
Diante do exposto, nota-se a necessidade de combater o sectarismo e a opressão contra grupos minoritários. Assim, com o objetivo de reprimir ataques de ódio, faz-se mister que o Poder Legislativo atue por meio da criação de leis que tipifiquem como crime as agressões verbais contra as minorias. Além disso, é indispensável que o Poder Executivo crie e fortaleça órgãos e delegacias especializadas em discursos de ódio e no atendimento de suas vítimas, assim como que crie campanhas publicitárias e projetos escolares com o fito de promover o debate e o respeito à diversidade. Destarte, poder-se-á construir uma sociedade harmônica, justa e unida.