Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 01/02/2021
O artigo terceiro da Constituição Federal Brasileira discorre acerca dos objetivos fundamentais do Brasil, sendo, o primeiro, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. No entanto, nota-se uma discrepância em relação a tal garantia constitucional e a questão da tolerância às minorias, no sentido de que, a disposição legislativa não se consolida totalmente no presente, em razão da falta de políticas públicas e do silenciamento social. Sob tal perspectiva, é imperioso o debate e superação desses impasses.
Em primeiro plano, é importante pontuar que o cantor Cazuza trouxe uma enorme contribuição social quando afirmou, na sua canção “O tempo não para”, que constantemente o futuro repete o passado. Assim, percebe-se que a obra do cantor tem estreita relação com a temática, uma vez que há muitos casos de impunidade, fruto da difusão de preconceitos ao longo dos séculos, sem que ocorra uma interferência do governo nesse assunto. Com efeito, mesmo sabendo da herança histórica desse problema, o Estado é negligente não aprendendo com erros passados e permitindo que a população padeça com os corolários dessa lacuna, como cita Cazuza. Além disso, os ataques são dirigidos sempre à grupos sociais que sofreram ao extremo no passado, como por exemplo negros, mulheres e homossexuais. Desse modo, é inegável que esse fato é uma das causas do revés.
Ademais, a escritora brasileira, Martha Medeiros, discorre, em uma de suas obras, sobre a falta de debate social, afirmando que o indivíduo silencia aquilo que ele não quer que venha à tona. Desse modo, é notório a relação entre a afirmação da autora e os discursos de ódio contra minorias, já que o Estado brasileiro mantém essa questão silenciada, visto que seu debate trará a exposição de muitos reveses e a fundamentação de incontáveis consequências, das quais seus responsáveis não demonstram capacidade para dirimir.
Portanto, o Ministério da Educação, por meio de palestras nas escolas e universidades, deve criar campanhas de debate social que possibilite a discussão de assuntos silenciados como a intolerância às minorias. Tais debates devem extrapolar o espaço acadêmico, com transmissões ao vivo pelas redes sociais, com o objetivo de atingir o máximo de indivíduos possível, permitindo a disseminação de conhecimento e a prática da empatia. Espera-se, dessa forma, que esse assunto deixe de ser desconhecido e seja minimizado.