Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 18/03/2021

O conflito envolvendo a intolerância contra minorias sociais não é recente no Brasil: ainda no século XIX, no Brasil Império, somente membros da elite considerados cidadãos tinham direito ao voto. Similarmente aos dias atuais, o preconceito gera impasses no convívio da população, como a repulsa à diversidade e a falta de atenção aos indivíduos afetados e, por isso, demanda intervenções. Ademais, é imperioso ressaltar as principais motivações para tal problemática: as ideologias improcedentes das classes dominantes e a tradição de uma cultura aversiva.

Antes de mais nada, existe no cenário brasileiro uma ideia de padronização cultural trazida pelas camadas majoritárias, visto que elas têm elevada influência coletiva. Nesse viés, há uma pretensa sensação de que qualquer variante é detestável, processo análogo ao ocorrido na Idade Média, na qual a dominação religiosa julgava e condenava pessoas que acreditavam em vertentes diferentes, por intermédio do Tribunal da Inquisição. Desse modo, a soberania doutrinadora representa retrocesso à livre erudição individual.

Além disso, convém ressaltar que a tradição cultural vigente contribui para a prática de desprezo alheio, por parte das sociedades ancestrais encontrando- se como um dos principais empecilhos para a superação do empasse. Outrossim, segundo o político africano Nelson Mandela, os indivíduos aprendem a praticar o ódio ao longo de suas vivências particulares, função que não lhe é biológica. De maneira similar, a carência de debates e abordagens sociais na vida dos hodiernos sobre a condescendência de respeito aos demais acarreta na não aplicabilidade desta no cotidiano brasileiro. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Portanto, cabe ao Ministério da Educação fomentar metodologias escolares de apoio, equidade e respeito às diferenças pessoais de cada cidadão, por meio da inclusão de conteúdos obrigatórios de estudo a minorias sociais, a fim de se comprimir o preconceito e a intolerância. Com isso, a sociedade brasileira poderá garantir a liberdade de pensamento e salientar sua importância.