Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 22/04/2021
De acordo com os dicionários da Língua Portuguesa, ódio significa aversão intensa destinada a algo ou alguém. A intolerância e o discurso de ódio contra as minorias vêm sendo muito discutidos atualmente, porém não se trata de um processo recente, para entendê-lo é importante conhecer a história do país e todo o passado preconceituoso que antecede a sociedade atual. Junto a isso, estas declarações de desprezo ocorrem com muita frequência, o que é extremamente preocupante.
Conforme os portugueses se estabeleceram no país, durante o período colonial houve a tentativa de embranquecimento da sociedade, iniciando-se o incentivo a imigração dos povos europeus. Esse processo teve continuidade por um longo tempo, principalmente nos séculos XIX e XX, conhecidos pela forte disseminação das teses eugenistas, nas quais as populações indígenas, negras e semitas eram julgadas inferiores. Da mesma forma, na Ditadura brasileira de 1964 a 1985 as minorias continuam sendo reprimidas, povos nativos, negros, transsexuais e homossexuais foram torturados por serem quem são, ou por terem um pensamento diferente do que era considerado o certo. Desse modo, é compreensível como o país ainda passa por um processo de transição e como o preconceito ainda é tão presente no dia a dia da população.
Ademais, com o advento da internet e das mídias sociais a disseminação de ódio passa a ser algo corriqueiro, muitos utilizam do argumento de que todos possuem liberdade de expressão, o que é um fato, mas existe um limite entre o que é liberdade de discurso e o que passa a ser mensagens preconceituosas. Nesse sentido, o anonimato das redes e a impunidade no Brasil dificultam a defesa de quem foi atacado. Por exemplo, em 2020 aconteceu o caso da jornalista Maju Coutinho da TV Globo, que foi alvo de comentários racistas nas redes sociais, e terminou com dois homens condenados, acusados de injúria racial.
Portanto, para que a intolerância possa ficar no passado do Brasil, é necessário que o Ministério da Educação invista na inserção de debates efetivos nas escolas, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, sobre os problemas que as minorias enfrentam na sociedade e como evitá-los. Também é importante que o Supremo Tribunal Federal intervenha na criminalização com cumprimento de pena dos crimes contra os grupos desfavorecidos. Dessa forma, o país será capaz de afastar-se do capítulo preconceituoso em sua história.