Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 20/04/2021
Na série televisiva Brooklyn Nine-Nine, o personagem Raymond Holt, capitão da delegacia de número 99 (ambiente da história) é um policial negro e abertamente homossexual, e no decorrer da série, ele relata muitas vezes para seus subordinados a maneira desprendidamente cruel pela qual ele era tratado pelos seus colegas de trabalho, simplesmente pela sua orientação sexual e cor. Infelizmente, a narrativa não destoa do corpo social brasileiro, visto que diversos membros de diferentes minorias sociais do país sofrem ataques diariamente, fenômeno causado pelo preconceito e pelo pensamento, por grande parte dos usuários, de que a internet é uma “terra sem lei”, e que seus discursos de ódio são válidos (já que são protegidos pelo anonimato), o que se prova uma inverdade no viés moral.
A princípio, é válido citar que de acordo com o filósofo Edmund Burke, “aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la.” Nesse sentido, é oportuno pensar na noção de “raça ariana” propagada por Hitler como um mecanismo de convencimento de uma suposta superioridade racial. Tal pensamento entra em combate direto com o direito fundamental à isonomia (igualdade perante a lei), incontestável segundo a Constituição Federal em seu art.5º, o que escancara a necessidade do povo brasileiro de se desprender das amarras do discurso de ódio, que se encontra arraigado na sociedade brasileira desde seus primórdios, e lutar contra a intolerância para com as minorias do corpo social.
Outrossim, verifica-se uma potencialização do fenômeno do preconceito na internet, que, por sua vez, configura-se como um instrumento de colossal acesso por todos. Dito isso, a fim de confirmar a existência dessa problemática, pode-se citar a anomia, que de acordo com o sociólogo Émile Durkheim é a condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. No ambiente virtual, esse conceito é bastante recorrente, pois as pessoas frequentemente ultrapassam dos limites éticos ao se verem protegidas pelo anonimato providenciado nesse meio.
Portanto, diante dos desafios supramencionados, faz-se necessária a criação de propagandas pelas mídias televisivas, que consistam em uma grande divulgação dos tipos de preconceito que existem e de como identificar e denunciar atos discriminatórios, a fim de que a população em massa tenha acesso a tais informações e possam então viver respeitosamente com todas as pessoas. Ademais, urge a criação, por quaisquer parlamentares, de um projeto de lei na Divisão de Crimes Virtuais que englobe uma maior fiscalização sobre os crimes de ódio na Internet, o endurecimento das punições relativas a tais, e a garantia, de forma gratuita, do atendimento psicológico que as vítimas necessitarem, por meio da contratação de psicólogos e psiquiatras, para que a problemática da disseminação do discurso de ódio na Internet seja atenuada, e que a sociedade fique mais harmoniosa e igualitária.