Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 22/04/2021
De acordo com à escritora feminista Simone de Beauvoir, “O homem é o sujeito; ela é o outro “. Este substantivo“ o outro ”, refere-se ao ser visto sem valor próprio, para os grupos dominantes, como as mulheres para o patriarcado; os judeus para os antissemitas e os afrodescendentes para os racistas. Além disso, há um passado com posicionamentos ignorantes, tanto pela falta de conhecimento, como também a repulsa intrínseca às intolerâncias enraizadas, das quais geram discurso de ódio às minorias.
Tendo em vista estes aspectos, no Brasil em um viés histórico-social, as representatividades de minorias são baixíssimas, reforçando assim, a desigualdade social advinda de uma carência cultural. Correspondentemente, em 1867 as mulheres brancas brasileiras de classe alta, começaram a frequentar as escolas particulares da época, no entanto, em 1870 foi aprovado uma “Lei do Ventre Livre” direcionada às mulheres pretas escravizadas, para seus filhos nascerem livres. O feminismo interseccional atua neste momento, para o fim de opressões que diferencie e distancie mulheres. A falta deste conhecimento, histórico e político dificulta a mudança educacional brasileira.
Ademais, “temos que falar sobre libertar mentes tanto quanto sobre libertar a sociedade.” Frase da escritora feminista Angela Davis, os discursos com insultos são contínuos em uma sociedade que muitas vezes, “confunde” liberdade de expressão, com ofensas e desrespeito, principalmente direcionados às minorias. Diante disto, a “Lei Lola”, aprovada no ano de 2018, atribui à Polícia Federal, a responsabilidade por investigar crimes de manifestações de ódio pela internet contra mulheres. Segundo o Jornal Globo, 1.314 mulheres são mortas pelo fato de serem mulheres, uma a cada 7 horas, em média no país. Logo, as mulheres estão em vulnerabilidade devido à falta de tolerância daqueles que aproveitam-se da meritocracia estrutural relacionada à cor, ao gênero ou à etnia, para menosprezar o “outro”, causa uma comunidade misógina e excludente.
Em suma, a problemática diante a intolerância e discurso de ódio, representa uma regressão sociocultural e desrespeita diretamente os direitos constitucionais de todos os brasileiros, pois não ameaça apenas as vítimas, mas a todos. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve implementar didáticas relacionadas ao feminismo interseccional nos meios acadêmicos, por meio de aulas de sociologia e cidadania, para assim banir a incompreensão histórica diante a intolerância e aos discursos de ódio. Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a responsabilidade de proteção ao direito da mulher e minorias em quaisquer meios sociais, com políticas rígidas contra o desacato, diminuindo assim os discursos de hostilidade.