Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 04/05/2021

Em meados do século XX, o escritor autríaco Stefan Zweig fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgio no território caranarinho. Impressionado com o potencial da nova casa, teceu uma obra intitulada “Brasil, país do futuro”, idealizando a superação de problemas sociais por meio de uma característica singular do povo brasileiro: a empatia. Todavia, quando se observa a questão da intolerância e do discurso de ódio contra as minorias no Brasil, nota-se que o ideário exposto por Stefan não saiu do papel. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à maldade humana e à falta de ativismo social.

Sob primeira análise, a perpetuação da intolerância evidencia a maldade humana. Sobre isso, Hannah Arendt - expoente escritora do século XX - teceu o conceito de “Banalidade do mal”, retratando que a maldade está enraizada no cotidiano. Nesse sentido, o fenômeno exposto por Arendt mostra-se condizente com a realidade, e se manifesta na forma de discursos de ódio, que são encarados como expressão de liberdade e exercício democrático. Entretanto, mesmo que tais discursos limitem a liberdade de outros grupos, principalmente das minorias, os afetados por são taxados como errados por grande parte da sociedade. Desse modo, enquanto a maldade humana se mantiver, o mundo será obrigado a conviver com um dos mais sérios problemas para a  evolução social: a intolerância.

Outrossim, o rompimento efetivo de discursos de ódio e da intolerância apresenta-se de maneira utópica em um país no qual a falta de empatia é a regra. Sob esse viés, a problemática relaciona-se à cegueira moral, temática exposta na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, que retrata a falta de empatia como o pilar dos preconceitos sociais. Tal fato pode ser exemplificado no descaso da sociedade frente à realidade vivenciada por diversas minorias, que têm aspectos socioculturais marginalizados na contemporaneidade. Diante disso, esses grupos sociais tornam-se vulneráveis ​​a mais problemas, o que prejudica a harmonia coletiva e a plena vivência da cidadania.

Isto posto, faz-se mister que medidas sejam tomadas para combater a intolerância e o discurso de ódio. Para tanto, o Ministério da Educação deve exigir que as escolas - responsáveis pela transformação social - ofertem projetos pedagógicos sobre a necessidade de lutar contra a intolerância, bem como dinâmicas feitas em espaços públicos sobre a identificação de discursos de ódio, ainda mais latente nas redes sociais, explicando como denunciar esse crime, além dos malefícios resultantes desses discurso. Essa iniciativa será capaz de promover uma maior integração das minorias que sofrem com os impactos da intolerância, bem como estabelecer a massificação do tema na coletividade. Assim, a ideia de Zweig deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.