Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 03/05/2021

Na Declaração dos Direitos Humanos de 1948 consta que todos os seres humanos têm direito à igualdade e, por meio dele, ninguém deve ser submetido à crueldade ou tratamento degradante. Apesar de esse direito ter sido promulgado há 73 anos, a recorrência da intolerância nos discursos de ódio contra as minorias reprouz preconceitos históricos e estruturais. Nesse contexto, o fenômeno da pós-verdade, associado às bolhas sociais fortalecidas pelas mídias digitais gera, muitas vezes, o desrespeito ao direito das minorias sociais, no Brasil explicitado, principalmente, para com pessoas negras.

Primeiramente, cabe apontar o documentário da plataforma Netflix, “O Dilema das Redes”, que demonstra por meio de depoimentos de ex-executivos de grandes empresas o avanço dos algoritmos e macanismos de controle de dados, os quais são problemáticos por selecionarem e restringirem as informações entregues aos indivíduos. Desse modo, a pessoa, ao receber apenas publicações com as quais já interage, cria uma falsa sensação de que suas ideias são tidas pela maioria. A partir do fortalecimento das bolhas sociais, tem-se o extremismo, que também é gerado pelo fenômeno da pós-verdade, no qual os indivíduos tendem a crer em verdades individuais. Por conseguinte, tem-se o aumento da intolerância ao que é diferente e a disseminação de discursos de ódio contra a parcela marginalizada da população.

Em segundo lugar, é válido enfatizar a influência que preconceitos históricos e estruturais geram sobre a sociedade, principalmente o racismo. De fato, a discriminação com pessoas negras começou de forma explícita durante o período da escravidão brasileira e, essa intolerância ficou enraizada, o que desde o passado causou um sentimento de inferioridade diante dos negros. Isto posto, mesmo após a abolição da escravidão, pretos não foram restabelecidos na sociedade e continuaram sofrendo com o preconceito e a intolerância. Essa realidade direcionou grande parte dos discursos de ódio a esse grupo, como é explicitado no estudo publicado pelo “O Globo”, que informou que denúncias pelo ódio contra negros nas redes sociais cresceu em 36% no Brasil.

Em suma, são necessárias medidas visando a diminuir as consequências dessa problemática. Diante disso, o Ministério da Educação deve promover palestras por meio do auxílio de ONGs, nas escolas, com o objetivo de conscientizar e informar a população sobre a necessidade do respeito e a importância do cumprimento dos Direitos Humanos. Com isso buscando melhorar a qualidade de vida das minorias sociais tornando a sociedade e lugar de maior bem-estar.