Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 28/08/2021

São Tomás de Aquino defende que as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a incidência da intolerância e dos discursos de ódio contra minorias contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, esses grupos são vítimas de discriminação, devido a massificação dos interesses de um pensar dominante. Nessa perspectiva, torna-se evidente que a concretude desse problema vem em virtude do legado histórico intrínseco às raízes de formação do país e pela lenta mudança na mentalidade social.

Convém ressaltar, a princípio, que o legado histórico é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Cláude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a frequência desses ataques às minorias é reflexo do passado brasileiro, visto que as constituições anteriores a de 1988 desprezaram grupos como negros, indígenas, homossexuais e mulheres de terem direitos como cidadãos, essas excludentes tornaram e tornam a segregação cada vez mais aparente no contexto social, devido ao sentimento de soberania de uns sobre os outros.

Outrossim, a lenta mudança na mentalidade do corpo social agrava ainda mais a situação. Conforme estudos sobre a natureza humana, o filósofo Friedich Nietzche criou a “Moral de Rebanho”, uma teoria que expõe a predisposição do homem ignorante a seguir e propagar determinadas ideias apenas para se igualar ao rebanho de agressores. Ele evidencia que não há uma filtragem crítica do que é propagado, tornando o ato automático, diminuindo, assim, a capacidade de remorso ou culpa por está legitimado por uma manada. Isso fortalece a intolerância e os discursos de ódio contra minorias, tendo em vista a manipulação de uma massa que sem senso de criticidade difunde atitudes preconceituosas.

É indubtável, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, o Ministério da Justiça, órgão responsável pela seguridade dos direitos dos cidadãos, juntamente com as prefeituras, devem por meio de palestras nas escolas, abertas para toda comunidade, promover debates que induzam o senso crítico da coletividade e do corpo estudantil acerca dos acontecimentos históricos, com a finalidade de conhecer o passado para que os mesmos erros não se perpetuem e o sentimento de humanidade reine no país verde amarelo, ao tornar o pensamento de São Tomás de Aquino efetivo.