Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 02/10/2021
Em um de seus contos, Machado de Assis afirma que, por intermédio do diálogo e da divulgação de ideias, é possível fazer um livro, um governo ou uma revolução. Fora das páginas, a ideologia do autor mostra-se plausível quando se percebe que o debate sobre a intolerância contra minorias no Brasil é imprescindível para combater os problemas atrelados à ela. Nesse sentido, a banalização e a falta de conhecimento social se caracterizam como principais causas de tal exposto.
Em primeiro lugar, faz-se importante salientar que há um grande descaso governamental frente aos crimes de ódio no país, haja vista que, muitas vezes, acabam saindo impunes. Desse modo, pode-se citar o livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, no qual o autor afirma que os direitos constitucionais residem apenas na teoria. Nessa perspectiva, a tese do escritor torna-se verídica quando a Constituição Brasileira é analisada e constata-se que tal negligência fere o Artigo 5, o qual garante que a lei punirá qualquer delito de origem discriminatória. Sendo assim, é notório que diversos indivíduos usufruem de tal inoperância estatal para atacarem pessoas socialmente vulneráveis.
Ademais, é preciso pontuar que o desconhecimento sobre a diversidade pode ser um dos fatores que leva a população a ser intolerante. Concomitantemente, é possível fazer um paralelo com o filme “Rua do Medo”, disponível na Netflix, no qual a protagonista sofre lesbofobia dos colegas de sala por não compreenderem a problemática por trás de seus atos homofóbicos. De volta à realidade, assim como os personagens da trama, diversos brasileiros possuem falas e atitudes que ferem a dignidade de grupos minoritários pela precária difusão de informações sobre esse assunto. Por conseguinte, urge que medidas sejam tomadas para atenuar a intransigência contra tais indivíduos fragilizados.
Portanto, é mister que o Ministério da Educação e a mídia, grande formadora de opinião e difusora de conhecimento, por meio de publicações nas redes sociais, iniciem campanhas com o intuito de educar a população sobre diversidade e a militância a favor dos direitos das minorias. Além disso, cabe ao Estado, em parceria com o Poder Judiciário analisarem de forma eficaz se as leis condizentes à crimes de discriminação estão sendo comprimidas e aplicarem punições mais severas aos autores desses crimes. Somente assim, a revolução idealizada por Machado de Assis ocorrerá.