Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 17/09/2021

Historicamente, a estrutura econômica e política do Brasil baseou-se na monocultura de exportação - inicialmente para a corte porguesa e após para a Inglaterra - e na mão de obra escrava. Assim, os avanços relacionados à inclusão social e garantia dos direitos fundamentais para todos, como saúde e educação, nunca foram pauta principal dos governos nacionais. Logo, a manutenção da desigualdade e do preconceito, dado pelo crescimento de discursos conservadores, promove a intolerância e o discurso de ódio contra minorias -negros, pobres e grupos LGBTQIA+.

Nesse sentido, o desenvolvimento de ideologias intolerantes é pautada no tipo de discurso existente pelas camadas sociais dominantes e na abrangência desses, nos meios de comunicação em massa. Desse modo, o documentário publicado pela Netflix “O Dilema das Redes”, retrata o poder das mídias sociais, a partir da Inteligência Artificial, em moldar-se aos desejos dos navegantes a qual analisa as visualizações e curtidas dos indivíduos para criarem perfis de consumo, visto que, atualmente consumir perpassa o ato de comprar materiais mas sim reflete ideais, classes e grupos. Essa realidade, é verificada no Facebook e Instagram, os quais por possuírem indivíduos de todos os gêneros e raças tornaram-se ferramenta de ataque a minorias.

Portanto, a socióloga Hannah Arendt, ao analisar o impacto dos veículos de comunicação na sociedade moderna, intitulou o termo “Banalização do Mal”, ao retratar o efeito de normalidade dos indivíduos perante atos doentios, como consequência a vivência desses em regimes ditatoriais. Hodiernamente, essa realidade mantém-se, pois tornar comum atitudes que ferem os direitos humanos e/ou impessam que cada indivíduo viva de forma plural é reflexo do crescimento das redes digitais e da falta de empatia tida pelos navegantes perante indivíduos diferentes.

Afinal, é imperioso para a desestruturação da intolerância e dos discursos de ódio no Brasil que o Ministério da Educação aumente a carga horária das aulas de Filosofia e Sociologia para alunos do ensino médio, a partir da destinação de verbas para contratação de mais professores das referentes áreas, a fim de ensinar aos alunos sobre os intelectuais contemporâneos e os impactos desses na reestruturação do ideal de sociedade antes e depois do advento da tecnologia. Além disso, torna-se necessário  o respaldo dos professores de história para explicitar que todo compartilhamento de discursos de ódio e preconceito promoveu, historicamente, diversos processos retrógrados, por exemplo a escravidão africana, genocídio judeu e guerras mundiais. Somente assim, com o amparo de jovens formados nas Universidades Públicas ocorrerá o esclarecimento dos alunos e do término da circulação da maldade em forma de post nas redes sociais.