Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 07/10/2021
A Constituição Federal de 1988 assegura a todos o direito à igualdade, sem distinção de qualquer natureza. Entretanto, os frequentes casos de intolerância e discurso de ódio contra minorias mostram que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Sob essa ótica, a educação precária e o radicalismo religioso são limitações sociais que corrompem o país.
Em primeiro plano, a limitação histórica da precaridade na educação motiva à evasão escolar. Nesse sentido, os indivíduos quando adultos replicam na sociedade suas exeriências pessoais e familiares, tornando realidade as palavras do filósofo francês Rosseau, “O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. Assim, quando o cidadão não possui a base educacional necessária na infância, acaba sendo corrompido e também corrompendo outras pessoas.
Sob outro prisma, o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, relata em sua obra ,Casa Grande e Senzala, que a formação do povo brasileiro é resultado da miscigenação entre o branco europeu, o negro africano e os povos índigenas. Diante desse amparo, formou-se uma ampla diversidade de religiões no país, proliferando também um radicalismo com discurso de ódio contra as minorias religiosas. Nesse sentido, não é razoável que haja uma religião que subjugue as outras, o que deve pois ser repudiado em um Estado laico.
Urge, portanto, que a sociedade e o poder público cooperem para mitigar a intolerância e o discurso de ódio contra a minoria. Cabe ao Ministério da Educação, se esforçar para erradicar a precaridade educacional do país, com investimentos direcionados a manter as crianças na escola, mitigando a evasão escolar. Cabe à sociedade repudiar o radicalismo religioso e xenofóbico contra as minorias, por meio de debates, nas mídias sociais, capazes de desconstruir a prevalência de uma maioria sobre várias minorias. Assim, observada a ação conjunta entre poder público e a sociedade, alcançará o país o direito à igualde de todos brasileiros.